O dirigente do Movimento Alternativa Socialista (MAS) Gil Garcia disse não ter ficado surpreendido com a demissão de Ana Drago da direção BE, acusando este partido, ao qual pertenceu, de não conviver bem com a «pluralidade de opiniões».

O MAS, que realiza este fim de semana o seu I Congresso fundador, decidiu ainda propor «uma coligação ampla» a todas as forças de esquerda, excluindo o PS, que apoiem um futuro referendo à permanência de Portugal no euro.

Se esta proposta não tiver acolhimento, o partido apresentará a 29 de março os primeiros nomes de uma lista própria às eleições europeias de 25 de maio, que pretende aberta a todos os descontentes com a situação do país e que contestem a troika como, por exemplo, os estivadores, os antigos trabalhadores dos Estaleiros de Viana do Castelo ou os professores desempregados.

Questionado pela Lusa sobre a demissão de Ana Drago da comissão política do BE, Gil Garcia disse acreditar que «outras se poderão seguir».

«Desde que o Bloco se juntou ao PS para apoiar Manuel Alegre nas presidenciais [em 2011], o partido perdeu metade do grupo parlamentar e tem somado derrotas eleitorais, tendo-se sucedido as demissões», sublinhou, lembrando que depois dele próprio saíram do partido outras personalidades como Daniel Oliveira.

Para o dirigente do MAS, «o Bloco não convive bem com a pluralidade de opiniões, e sobretudo com opiniões mais à esquerda», revelando uma grande divergência interna na estratégia para as eleições europeias.

Quanto às conclusões do I Congresso do partido, Gil Garcia anunciou que o MAS irá propor «uma coligação ampla de todas as forças à esquerda», considerando que as recentes propostas no mesmo sentido do futuro partido Livre e do movimento 3D «pecam por defeito» por excluírem partidos como o PCP, o PAN e o próprio MAS.

A proposta do MAS, que excluirá o PS por este partido ter assinado o memorando de entendimento, terá duas condições: recusar o apoio a um futuro Governo do PS de António José Seguro e discutir a necessidade de um referendo à presença de Portugal no euro.

«Se os partidos recusarem a nossa proposta, o MAS apresentará uma candidatura própria às europeias», garantiu Gil Garcia, dizendo que o partido irá tornar público os seus dez primeiros candidatos a 29 de março, data da festa anual do partido.

«Vamos abrir a lista a independentes», garantiu, dizendo que serão convidadas pessoas ligadas a setores de resistência à troika como «os movimentos sociais, os estivadores, os professores, os trabalhadores de Viana do Castelo, pequenos empresários prejudicados pelo aumento do IVA na restauração ou licenciados que têm de emigrar».

O MAS integra elementos da FER (Frente de Esquerda Revolucionária), que abandonou o Bloco de Esquerda (BE), nomeadamente Gil Garcia.

O partido foi legalizado em agosto, quando o Tribunal Constitucional (TC) revelou que a força política poderia a partir de então concorrer a eleições, após a entrega de perto de 20 mil assinaturas para a sua formalização.