O antigo ministro do PSD Luís Marques Guedes disse, neste sábado, que uma postura de "crítica construtiva" como a do social-democrata José Eduardo Martins é bem-vinda e tem o seu espaço no congresso do partido.

"Não tenho dúvida nenhuma de que o contributo do José Eduardo Martins é seguramente um contributo construtivo. José Eduardo Martins é um social-democrata de gema, é uma pessoa que já deu muito ao partido em várias funções, e entende neste momento continuar a dar numa postura de crítica construtiva", realçou Marques Guedes.

O antigo governante e atual parlamentar social-democrata falava aos jornalistas à chegada ao segundo dia do 36.º Congresso Nacional do PSD, que decorre até domingo em Espinho, distrito de Aveiro, reunindo 750 congressistas.

Vozes como a de José Eduardo Martins, com uma visão do partido "um bocadinho diferente" da demonstrada pela direção, são "bem-vindas" e "é para isso que servem os congressos", prosseguiu Marques Guedes.

José Eduardo Martins, antigo secretário de Estado e antigo deputado do PSD, deve ser uma das poucas vozes críticas da atual direção que deverá falar neste congresso.

Luís Marques Guedes, à chegada à Nave Desportiva de Espinho, onde se juntam os sociais-democratas este fim de semana, teceu ainda elogios ao discurso do líder do partido, Pedro Passos Coelho, na sexta-feira, que, considerou, "fez o discurso que se impunha".

"Fez um balanço (...) que nestes últimos tempos foi claramente positivo, quer para o partido, quer para o país. Os anos de 2014 e 2015 foram dois anos em que se começou a virar a página relativamente ao descalabro em que o país se encontrava em 2011", declarou.

O atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, foi também recordado pelo dirigente social-democrata, que reconheceu ter já "saudades" da presença do antigo líder social-democrata nos congressos do partido.

Também à chegada ao local onde decorre o congresso, a antiga ministra da Justiça Paula Teixeira da Cruz destacou o "discurso muito claro" do presidente do PSD, que "indicou um caminho de futuro" deixando claras as diferenças para com as políticas do atual Governo do PS.

"É evidente que muitos gostariam que a oposição fosse histriónica, mas não é essa a nossa maneira de estar", acrescentou ainda a antiga governante, assegurando que os portugueses não terão da parte do PSD uma oposição "barulhenta" e "vazia de significado".

José Eduardo Martins e a necessidade de ganhar as autárquicas

O antigo deputado social-democrata José Eduardo Martins defendeu hoje que, se a coligação de esquerda ainda estiver a governar quando se realizarem as autárquicas, o PSD tem a obrigação de vencer estas eleições do próximo ano.

“O que tem acontecido sempre é que os partidos no governo são penalizados nas autárquicas (...), se se mantiver a solidez que o nosso presidente antecipa em relação à coligação de esquerda, e se a coligação de esquerda estiver a governar, evidentemente eu acho que temos a obrigação de ganhar as autárquicas”, defendeu José Eduardo Martins, à entrada para o segundo dia do 36.º Congresso do PSD.

Em 2013, o PS foi o partido que elegeu mais presidentes de câmara, 150, enquanto o PSD, sozinho ou em coligação, conseguiu 106 câmaras.

Ainda assim, o antigo secretário de Estado não quer antecipar ilações sobre a liderança de Pedro Passos Coelho, em caso de derrota, lembrando que o mandato é de dois anos e que há muitas incertezas internacionais que podem condicionar o futuro do partido e do Governo PS.

“Se suceder alguma coisa menos boa ao longo deste ano, porque sabemos que estamos mesmo no fio da navalha para um pequeno abanão internacional constipar imenso a economia e fazer gripar este Orçamento do Estado que não é nem carne nem peixe, o grau de exigência não será o mesmo”, disse.

Sobre o Presidente da República, que foi referido e saudado no discurso de abertura de Passos Coelho na sexta-feira, José Eduardo Martins fez questão de sublinhar que Marcelo Rebelo de Sousa foi também presidente do PSD.

“O pensamento do Presidente da República não mudou, é um pensamento que na sua essência não o fez por acaso presidente do PSD”, afirmou.