O PSD acusou esta quinta-feira o ministro das Finanças de prestar "um depoimento falso" na comissão de inquérito do Banif sobre o seu papel na venda ao Santander Totta, e vai requerer o regresso do governante à comissão.

Os sociais-democratas, através dos deputados Luís Marques Guedes e Carlos Abreu Amorim, apresentaram hoje aos jornalistas um email "cujo conteúdo põe frontalmente em causa o depoimento" do ministro Mário Centeno na comissão de inquérito, onde foi ouvido na semana passada.

Em causa está uma missiva de Danièle Nouy, presidente do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu (BCE), onde - no sábado, 19 de dezembro, pela manhã - esta diz ter recebido chamadas de Centeno e do vice-presidente do BCE, Vítor Constâncio, pedindo para o BCE "desbloquear a oferta do Santander junto da Comissão Europeia".

"A ser assim", diz o PSD, tanto Centeno como Constâncio, "provavelmente concertados, não o sabemos", pediram ao BCE uma "intervenção de amaciamento dos serviços da Comissão Europeia (presume-se que a DG Comp), para aceitarem a entrega do Banif ao Santander".

A decisão sobre a resolução do banco e venda ao Santander Totta deu-se nessa tarde de sábado, e o anúncio da mesma seria feito no dia seguinte, domingo (20 de dezembro).

Afinal o Governo português fez força para que o Banif fosse entregue ao Santander? Concertou essa iniciativa com o doutor Vítor Constâncio? Porquê o Santander?", interrogou Marques Guedes, um dos deputados do PSD na comissão de inquérito.

O parlamentar falava em conferência de imprensa tida no parlamento esta tarde, e onde estavam presentes a grande maioria dos deputados do PSD com assento na comissão de inquérito ao Banif.

O PSD mostrou aos jornalistas alguns trechos em vídeo de intervenções de Centeno: "Eu nunca intervim no processo de venda nessa dimensão que está, acho eu, a sugerir", diz a certa altura o ministro numa resposta ao deputado do PSD Miguel Morgado aquando da audição no parlamento na semana passada.

O PSD quer agora com "máxima urgência" ouvir de novo o titular da pasta das Finanças e diz que não tira "conclusões" sobre as palavras do mesmo "antes da verificação dos factos", o que tem de suceder na comissão de inquérito.