A candidata presidencial apoiada pelo BE defendeu esta terça-feira a preservação do Serviço Nacional de Saúde, muito "atacado nos últimos tempos", responsabilizando o Presidente da República por "não está a fazer o seu papel" como garante do funcionamento das instituições.

Marisa Matias visitou hoje o Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, tendo no final, em declarações aos jornalistas, afirmando que "uma candidata à Presidência da República que preze a Constituição preza o Serviço Nacional de Saúde (SNS) universal e gratuito", que tem sido "muito atacado nos últimos tempos".

Na opinião da candidata apoiada pelo BE, sendo o Presidente da República "o garante do funcionamento das instituições", se a questão da saúde "está a ser tão afetada é porque as instituições não estão a funcionar regularmente" e o Presidente da República "não está a fazer o seu papel".

Para Marisa Matias, este ataque tem tido a conivência do atual Presidente da República, Cavaco Silva, no momento em que "escolheu defender esses interesses e ajudar a que grande parte do dinheiro dos contribuintes fosse enterrado para salvaguardar os interesses económicos, retirou uma importante fatia aquilo que seria a nossa convivência na democracia".


"Vale a pena fazer a comparação: não houve nenhuma dúvida relativamente aos 3 mil milhões de euros para o Banif num dia. Foi esse o montante de cortes que nós tivemos no SNS. Se há dinheiro para o Banif, tem de haver para o SNS", acrescentou.


Para a eurodeputada bloquista, "o SNS é provavelmente a maior conquista da democracia em Portugal, é um dos pilares fundamentais da nossa democracia, é um dos direitos constitucionais que mais consagrado deveria estar e não está".

"Infelizmente nos últimos anos assistimos a uma trajetória de subfinanciamento e de ataque sistemático ao SNS, sem que isso tenha ficado mais barato para os contribuintes. Pelo contrário, nós pagamos uma fatura cada vez mais elevada na saúde, mas no entanto os profissionais têm menos recursos e os doentes depois deparam-se com esses menos recursos. É de vidas que estamos a falar", disse ainda.

Sendo um dos melhores serviços a nível mundial, é preciso "afastá-lo o mais possível do negócio e também dos cortes cegos da austeridade".

"Nos últimos dez anos esse garante não só não tem sido feito como temos assistido a cortes sistemáticos, completamente fora da realidade ao mesmo tempo que assistimos também a uma transferência para o setor privado de muitas das competências que deveriam estar, no meu ponto de vista, no setor público", disse ainda.


Para a candidata, "não é admissível que nos últimos anos, no IPO, se tenha cortado 50 profissionais a cada ano que passou".