A primeira candidata do BE às europeias defendeu sexta-feira que, se a troika vai embora, os portugueses querem as suas vidas «de volta», afirmando que se o relógio de Paulo Portas estivesse certo, Portugal não teria perdido 13 anos.

«Se a troika vai embora, não nos bastam palavras. Se a troika vai embora queremos a nossas vidas de volta e queremos muito mais do que isso: queremos um modelo de desenvolvimento completamente diferente do que temos tido até agora», enfatizou Marisa Matias durante um comício em Faro na sexta-feira à noite.

Na véspera da saída da troika de Portugal, a cabeça de lista do BE às eleições europeias de dia 25, sublinhou que «apesar de meses e meses do Governo a falar de milagre económico e em retoma», a única visível «é a recessão a retomar».

Marisa Matias pegou no relógio de Paulo Portas - inaugurado há uns meses para fazer a contagem para o fim do período de assistência financeira - e pôs os contadores a zero: «três anos de troika e afinal em que ano é que está o relógio: se é 1640 ou não é, se é a libertação de Portugal ou não é».

A eurodeputada recandidata considera que «se o relógio de Paulo Portas estivesse certo e se na verdade a troika fosse embora», Portugal não teria «perdido em média, em termos de indicadores económicos e sociais, qualquer coisa como 13 anos» da vida do país.

Marisa Matias fez as contas de três anos de troika em Portugal: um recuo de 14 anos em termos do PIB e de 17 anos em termos de números de empregos, para além de uma dívida em níveis que nunca houve na história da democracia.

«Este sim é o relógio que Paulo Portas e Pedro Passos Coelho devem apresentar à população. Este sim é o relógio das nossas vidas», observou.

Assim, a bloquista sabe bem o quer para o país hoje, no dia da saída oficial da troika do país: «queremos os empregos de volta, as pensões de volta, queremos o estado social de volta, queremos a escola pública que nos roubaram, queremos a saúde pública que nos roubaram».

Para além da retórica do Governo, Marisa Matias criticou ainda a «mentira descarada» do executivo de Pedro Passos Coelho, dando o exemplo de uma das justificação para a retração do PIB apresentada pelo primeiro-ministro, a menor produção da Autoeuropa.

«Nem 24 horas depois, a Autoeuropa emitiu um comunicado em que disse que era mentira, que nesse período tinha produzido mais de 20 mil carros acima do que produz normalmente neste período. Até os alemães já desmentem o Governo. É um desnorte completo», condenou.