A candidata às presidenciais pelo BE, Marisa Matias, defendeu hoje, em Bruxelas, que Cavaco Silva tem que aceitar em 2015 “a maioria de esquerda com a mesma naturalidade com que aceitou a de direita em 2011”.

A candidata presidencial e eurodeputada eleita pelo Bloco de Esquerda (BE) considerou, em declarações aos jornalistas, que se o Presidente da República “em 2011 aceitou com naturalidade a maioria de direita, em 2015 tem que aceitar com a mesma naturalidade a maioria de esquerda”.

Comentando o calendário de Aníbal Cavaco Silva, que hoje recebe bancários em Belém e só na sexta-feira vai receber os partidos com assento parlamentar, Marisa Matias adiantou ser “um tempo perdido para a democracia e para a economia, em Portugal, e não deixa de ser surpreendente que o senhor Presidente da República, que tem sido tão rápido a executar as funções da Assembleia da República seja tão lento a executar as suas próprias funções”.

“O Presidente da República pode reunir-se com bem entender, não pode é ignorar cinco milhões de votos”, salientou, acrescentando que nesta altura deveria haver uma resposta que corresponda à vontade democrática dos portugueses”.

“Eu entendo que este seja o tempo que possa ser necessário para que quem está ainda no Governo acabe de fazer alguns negócios de privatizações ou de nomeações, entendo que necessitem desse tempo”, disse ainda a candidata do BE.
 

Jerónimo acusa PR de arrastar decisão


O secretário-geral do PCP acusou o Presidente da República de arrastar "a decisão que lhe cabe e que a situação exige" sobre o novo Governo, subvertendo a Constituição, e prometeu "uma resposta democrática dos trabalhadores e do povo".

"Arrastando a decisão que lhe cabe e que a situação exige, privilegiando contactos e audições com representantes do grande capital em detrimento dos órgãos de consulta constitucionalmente previstos, adiando a indispensável e obrigatória consulta aos partidos políticos, alimentando falsas soluções, Cavaco Silva opta por procurar intervir em auxílio do partido a que pertence mesmo que para isso afronte a Constituição", afirmou Jerónimo de Sousa, no parlamento.

Segundo o líder comunista, "quaisquer tentativas de Cavaco Silva para procurar subverter a Constituição terão a resposta democrática dos trabalhadores e do povo que lhe corresponda".

"Cavaco Silva assume assim todas as responsabilidades pelas consequências políticas e institucionais de eventuais decisões que, por ação ou omissão, contribuam para degradar a situação nacional e promover o confronto entre órgãos de soberania", frisou.

Jerónimo de Sousa instou ainda: "Cumpra-se a vontade popular, cumpra-se a vontade da maioria dos deputados da Assembleia da República, cumpra-se a Constituição da República Portuguesa".

A moção de rejeição do PS ao Programa do XX Governo Constitucional foi aprovada a 11 de novembro com 123 votos favoráveis de socialistas, BE, PCP, PEV e PAN, o que, de acordo com a Constituição, implica a demissão do XX Governo Constitucional, suportado por PSD e CDS-PP, e liderado por Pedro Passos Coelho.