A eurodeputada do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, questionou hoje a burocracia para receber refugiados em Portugal e a razão de o país não ter recebido ninguém da quota de 2014.

"Não percebo porque não se avança mais rapidamente com a burocracia para receber estas pessoas e não consigo perceber porque não se recebeu uma única pessoa da quota de 45 de 2014 e estamos quase no fim de 2015", afirmou a portuguesa, à margem da sessão do Parlamento Europeu, a decorrer em Estrasburgo (França).

Marisa Matias defendeu que devem ser exigidas explicações às instituições portuguesas porque " não é possível dizer que não há estruturas preparadas para receber 400 pessoas".

Além de criticar que pessoas sejam colocadas em "antigos campos de concentração" e sejam "alimentadas em currais de animais", Marisa Matias não quer a "suspeição de que não se faz em relação à Hungria porque o senhor Orban (primeiro-ministro húngaro" é da família politica maioritária da União Europeia"

Para o social-democrata Carlos Coelho, a resposta à crise dos refugiados na União Europeia "chama-se solidariedade".

O eurodeputado sublinhou a necessidade de "linhas orçamentais adequadas", admitindo o receio de que o Conselho Europeu esteja a fazer "engenharia orçamental e não esteja a dotar o orçamento comunitário das verbas" necessárias.

Lembrou ainda que Portugal vai receber "mais de 400 refugiados" e que desde o primeiro momento apoiou a proposta da Comissão Europeia.

A socialista Ana Gomes sublinhou que a crise exige "ação estratégica coordenada, política externa comum, política de defesa e segurança comum e ajuda de emergência e de ajuda ao desenvolvimento combinada e é isso que não tem funcionado".

Nuno Melo, do CDS-PP, recordou que a Europa, "apesar de tudo" tem "sido solidária" num problema para o qual o "mundo inteiro deveria estar disponível para ajudar e acolher".

O eurodeputado comentou a perceção atual da "necessidade da ajuda, mas o que não invalida a resposta que tem que ser dada no terreno" para resolver a crise.

Pelo PCP, Miguel Viegas lamentou que não haja uma solução para uma "crise gravíssima" e que no último conselho europeu (de 23 de setembro) tenha falhado na unanimidade.

"Há um conjunto de propostas que são positivas, mas que infelizmente os resultados mostram que a Europa continua divida, envolta em cálculos mesquinhos" e sem acordo sobre recolocação de refugiados e "ir à raiz do problema e acabar com a guerra na Síria".