A candidata presidencial do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, disse, na sexta-feira à noite, que “há quem esteja a tentar fazer” destas eleições “um passeio” e alertou que não se podem “passar cheques em branco”.

“Eu sei que há quem esteja a tentar fazer das eleições um passeio ou a tentar evitar todas as questões que são verdadeiramente relevantes do ponto de vista político”, afirmou, num jantar de apoio à sua candidatura, em Évora.


Mas as eleições para a Presidência da República “não devem ser um passeio”, contrapôs, defendendo que devem ser sim “um debate, um debate político, um debate sério”.

“Eu quero dizer-vos que, porque não são um passeio, não contem comigo para fazer este caminho e não falar de nada”, continuou, sem se referir diretamente a qualquer dos outros candidatos presidenciais.

Um pouco depois, Marisa Matias já aludiu a Marcelo Rebelo de Sousa, mesmo sem dizer o seu nome, ao defender que são necessárias “respostas concretas a todos os problemas” do país e que, neste ato eleitoral, não se podem “passar cheques em branco”.

“É preciso que haja mesmo respostas concretas. E, sobretudo, se há pessoas que, durante tantos anos, tiveram opinião sobre tudo e sobre nada, agora é um bocado estranho que sejam tão vagas em relação às questões que são fundamentais”, ironizou, numa referência ao antigo comentador televisivo.


Até à realização das eleições para a Presidência da República, em janeiro, Marisa Matias prometeu que vai falar de “tudo” o que lhe “apetecer” e, “seguramente, nas respostas concretas que é obrigatório que cada candidato e que cada candidata diga em relação a todos os problemas”.

Estas eleições “não devem ser um passeio”, insistiu, realçando que, “se dúvidas houvesse sobre a importância do Presidente da República, elas todas ficaram dissipadas nos últimos meses da vida democrática” em Portugal.

Na intervenção durante o jantar, a candidata do Bloco de Esquerda aludiu também à “recomendação de voto” por parte do PSD e do CDS-PP em Marcelo Rebelo de Sousa.

“Hoje ficámos a saber que o candidato independente recebeu uma recomendação do PSD e do CDS, ou seja, daqueles que estiveram na origem do maior ciclo de empobrecimento que este país alguma vez viveu em tempo de democracia”, criticou.


Ora, “com recomendações destas estamos bem, mas depois não venham dizer que são independentes”, ironizou.

“Eu não sou uma candidata neutra e nem vou fingir que sou neutra só para granjear mais simpatia e agradar a mais pessoas. Mas também não sou uma candidata dependente. Não sou dependente do sistema financeiro ou do lobby das farmacêuticas e nem estou aqui por nenhum interesse que não seja o interesse do país”, afirmou.