A candidata presidencial Marisa Matias reconheceu hoje compreender o espanto do também candidato Marcelo Rebelo de Sousa com os orçamentos de campanha eleitoral, e lembrou que o social-democrata "foi pago" durante mais de dez anos para fazer campanha.
 

Marcelo, sustentou Marisa Matias aos jornalistas, foi "durante mais de dez anos pago para fazer campanha e para promover a sua agenda ao lugar que queria concorrer", o de chefe de Estado.


"Compreendo que quem foi pago ao longo de dez anos se choque com quem não foi pago", prosseguiu a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda (BE), que falava no final de um encontro em Lisboa com a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP).

A candidata a Belém falava no dia seguinte a Marcelo Rebelo de Sousa ter definido como "um escândalo" o gasto, em período de crise, de centenas de milhares ou milhões de euros numa campanha.
 

"É aquilo que eu sempre pensei, que as campanhas eleitorais devem ser muito mais modestas em termos de recursos financeiros, e então em período de crise é um escândalo estar a falar em centenas de milhares de euros, ou em milhões de euros, quando as pessoas estão com as dificuldades no dia-a-dia, na sua saúde, na segurança social, nas despesas básicas da vida", afirmou o candidato que tem apoio do PSD e CDS-PP.


Para Marisa Matias, as campanhas "são um investimento em democracia que devem servir para que as pessoas conheçam as propostas todas, os perfis dos candidatos".

E insistiu: "Tentaremos chegar ao maior número de pessoas possível. (…) Essa é a questão essencial das campanhas, não é uma guerra de números".

Segundo dados da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos disponibilizados na segunda-feira, dos dez candidatos presidenciais que entregaram assinaturas no Tribunal Constitucional, Marcelo Rebelo de Sousa - em quem PSD e CDS-PP recomendaram o voto - tem o sexto maior orçamento de campanha, com 157 mil euros de despesas.

Marisa Matias, candidata apoiada pelo BE, prevê gastar cerca de 450 mil euros.

No encontro de hoje com o sindicato da polícia foram abordados problemas específicos do setor, com Marisa a chamar a atenção para a "confusão sistemática entre os papéis que são devidos às forças de segurança" portuguesas.

"Foi possível nesta reunião fazer uma avaliação da evolução das diferentes entidades que devem ser parceiras em questões fundamentais como a violência doméstica", assinalou ainda a aspirante a Belém.

Questionada sobre a anunciada saída de Paulo Portas da liderança do CDS-PP, a candidata escusou-se a comentar assuntos da "vida interna" dos centristas.