Marisa Matias é de Alcouce, concelho de Coimbra. Está tudo dito no que respeita à receção que teve na cidade dos estudantes.

Mas mais do que ser bem recebida, primeiro na Escola Secundária Avelar Brotero, depois nas ruas da baixa, Marisa ganhou novo espírito.

Ela riu mais, ela falou mais, ela mostrou-se menos insegura no contacto com as pessoas, ela até fintou a caravana e correu para entrar num salão de cabeleireiro onde, da varanda, acenou ao som de gritos "Marisa a Presidente".

Estar em casa tem disto. Ser candidato à Presidência da República, com 39 anos, mulher (durante o dia falou-se no facto de na história da democracia não haver mulheres em Belém), apoiada por um partido que ainda é visto como  pequeno no espectro político nacional não deve ser fácil.

Por isso, voltar a Coimbra e ouvir palavras simpáticas de amigos, conhecidos, mas também desconhecidos também ajuda. Mais ainda se ali ao lado estiverem o pai e a mãe da candidata. Não pedem muito, apenas a segunda volta eleitoral para a filha, mas primeiro que descanse: "tem ar cansado", desabafam.

Marisa emociona-se. E é genuíno. Já antes, quando uma jovem de origem búlgara a abordou para a lembrar que em tempos, a candidata a tinha ajudado a si e aos pais, Marisa sentiu o mesmo, mas aguentou.

Mais tarde, já estava noite, não conseguiu. Ouvia os lamentos de uma mulher que pedia mudanças no país porque os portugueses, em especial os jovens, tinham sofrido muito nos últimos anos. Aí, a candidata chorou.