Notícia atualizada às 19:06

O Bloco de Esquerda (BE) considerou, esta sexta-feira, que a entrada da Guiné Equatorial para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) representa o poder dos interesses económicos em detrimento «dos direitos humanos e da democracia».

«Este aval dado ontem [quinta-feira] representa infelizmente, mais uma vez, colocar os interesses económicos à frente dos direitos humanos e da democracia», considerou a eurodeputada bloquista Marisa Matias, em declarações à agência Lusa.

Marisa Matias, cabeça de lista do Bloco às europeias deste ano, falava depois de os chefes da diplomacia dos oito Estados-membros da CPLP terem recomendado na quinta-feira a adesão da Guiné Equatorial à comunidade Lusófona.

Para o BE, um país que é «reconhecidamente uma ditadura» não deve integrar a CPLP, lembrando Marisa Matias que está em cima da mesa uma moratória sobre a pena de morte no país, o que «não é a mesma coisa que anular a pena de morte».

«Pensamos que um país nestas condições, com um governo ditatorial, não deveria ser aceite na comunidade», declarou a eurodeputada do Bloco.

PS aguarda «posição definitiva» do Governo

PS disse que aguarda uma «posição definitiva» do Governo, a comunicar à Assembleia da República, sobre a entrada da Guiné Equatorial para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

«O Governo não comunicou nenhuma posição definitiva nem à Assembleia nem ao PS. Estamos a aguardar o que o Governo terá para dizer relativamente ao contexto desta decisão da qual desconhecemos em absoluto o seu conteúdo», disse o deputado do PS António Braga em declarações à agência Lusa.

O parlamentar diz que o partido, que desde o início «tem acompanhado as decisões da CPLP» e os critérios para a adesão de novos membros, não conhece «os desenvolvimentos e a avaliação feita» sobre a adesão da Guiné Equatorial à comunidade Lusófona.

A reunião extraordinária dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) recomendou na quinta-feira em Maputo a adesão da Guiné Equatorial à organização.

A adesão, como membro de pleno direito, foi aprovada como uma recomendação para a cimeira de chefes de Estado da organização que se realiza em Díli este ano, disse à Lusa o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete.

O ministro acrescentou que «Portugal se sente à vontade com esta decisão» dado, disse, a Guiné equatorial seguiu todo o roteiro, incluindo a questão da moratória à pena de morte.