A cabeça de lista do BE às europeias questionou esta quarta-feira como é que Paulo Rangel conseguiu dizer, «sem se rir», que PSD e CDS bateram o pé a Angela Merkel relativamente à união bancária, sublinhando uma «subserviência extrema» do Governo.

«Não pude deixar de ouvir as declarações do Dr. Paulo Rangel a propósito da União Bancária em que disse que o PSD, o CDS e o Governo português bateram o pé à senhora Merkel durante as negociações da União Bancária e eu, o que me pergunto, é como é que ele conseguiu dizer isso sem rir-se», disse aos jornalistas Marisa Matias durante uma ação de campanha em Setúbal.

Na opinião da eurodeputada bloquista, se o cabeça de lista da coligação Aliança Portugal dissesse «isso no Parlamento Europeu, muita gente iria rir-se, até mesmo da sua família política».

«Mas pronto, em tempo de campanha tudo é possível, até mesmo a reescrita da história», sublinhou.

Marisa Matias garantiu que, pelo contrário, «em todas as negociações que houve da União Bancária e tudo o resto houve sempre uma subserviência extrema por parte do Governo e do maior grupo parlamentar no Parlamento Europeu», onde se inserem PSD e CDS-PP.

«Nunca houve propriamente nenhuma manifestação, sequer tímida, de oposição relativamente a isso, quanto mais de bater o pé. Acho que se tivessem batido o pé nós teríamos ouvido. Nós não ouvimos. Mas nestas alturas tudo serve», concluiu.

Paulo Rangel disse hoje em Mafra que foi a maioria PSD/CDS-PP que bateu o pé a Angela Merkel.

«Nem todos sabem disso, mas é preciso que se diga que, na união bancária, foi Portugal o primeiro e o único país a dizer que queria uma união bancária diferente», afirmou o cabeça de lista da coligação da direita.

As declarações da recandidata do Bloco de Esquerda ao Parlamento Europeu foram proferidas a bordo de uma barco que fez uma viagem pelas margens do Sado, em Setúbal, onde o partido denunciou a especulação imobiliária e lamentou que a candidatura da Arrábida a Património da Humanidade tenha sido indeferida, sendo uma das causas a presença de uma cimenteira no meio daquilo que «era suposto» ser uma reserva natural.

A tarde da campanha eleitoral começou com um contacto com trabalhadores na hora da mudança de turnos na Autoeuropa, em Palmela, tendo Marisa Matias apontado esta empresa como um bom exemplo da contratação coletiva, com benefícios para ambas as partes.