A candidata às presidenciais Marisa Matias considerou esta sexta-feira que a “declaração de Cavaco Silva expulsa um milhão de portugueses da democracia”, acusando o Presidente da República de “total ausência de imparcialidade e isenção” e de dividir os portugueses.

Numa posição por escrito enviada à agência Lusa, a candidata à Presidência da República, apoiada pelo BE, ressalvou que “a indigitação de Pedro Passos Coelho é um ato formalmente legítimo e politicamente legítimo”, mas condenou o facto de ter sido acompanhada de “um discurso de cruzada ideológica”, considerando que a “declaração de Cavaco Silva expulsa um milhão de portugueses da democracia e divide os restantes”.

“A declaração de ontem do Presidente da República constitui um momento tão inédito quanto lamentável da nossa vida democrática. O conteúdo e a linguagem dessa declaração revelam uma total ausência de imparcialidade e isenção e denunciam um entendimento abusivo das funções presidenciais.”


Criticando um discurso “marcado por insinuações e ameaças, que nada mais fazem do que radicalizar posições e dificultar o diálogo sobre as escolhas que o país enfrenta”, Marisa Matias afirma que “quando o Presidente da República invoca a Europa para silenciar a democracia, mais não faz do que atacar a Europa e atacar a democracia”.

A eurodeputada bloquista considera por isso que Cavaco Silva apenas tenta “comprometer a emergência de uma solução de governação estável, com apoio parlamentar, objetivo que o próprio Presidente várias vezes invocou”.

“Num momento de compromisso e de unidade da maioria, o Presidente só pensa em dividir. O Presidente da República mostrou que não é, nunca foi e não quer ser o Presidente de todos os portugueses.”


Para Marisa Matias, “a gravidade destas declarações exige uma posição clara de todos os candidatos e candidatas às próximas eleições presidenciais, sem exceção”.

“Os portugueses têm o direito de saber. Da minha parte, sempre respeitarei todos os partidos por igual”, garantiu.

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, anunciou na quinta-feira numa comunicação ao país que indigitou o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, para o cargo de primeiro-ministro.