A eurodeputada do Bloco de Esquerda  Marisa Matias vai estar na Grécia no domingo, o dia em que se realiza o referendo que vai ditar o futuro do país. 

"Sei que os governos estão habituados a fazer o contrário do que prometerem, mas o governo grego já tinha cedido até ao limite. Do lado das instituições europeias e da troika assistimos a um radicalismo extremo, uma obsessão completa, nenhuma margem de negociação", vincou a eurodeputada em declarações à agência Lusa.

Marisa Matias falava a partir de Bruxelas, onde chegou esta tarde vinda de Atenas, mas declarou vai regressar no próximo fim de semana em prol da "democracia". Neste momento, já tinha dito esta tarde a dirigente do Bloco, Catarina Martins, o que está em causa é a precisamente uma escolha entre a democracia e a "ditadura da finança".

A eurodeputada diz que "obviamente" se sente em Atenas "uma grande tensão, é escusado dizer o contrário", mas, advoga, "a maior parte das pessoas não está desesperada, está até orgulhosa por poderem decidir, independentemente do resultado [do referendo]".

"Penso que ao governo grego não restava outra opção. A partir do momento em que se coloca um ultimato, e sem ser aceite uma única medida proposta pelo governo grego, não poderia ser assinado [o acordo com os credores]".


A seis dias do referendo na Grécia, os dirigentes europeus lançaram hoje uma campanha pelo 'sim' tentando convencer os gregos a não recusarem o euro, numa altura em que o país teve de encerrar os bancos.

"Um 'não' quer dizer que a Grécia diz 'não' à Europa", afirmou em Bruxelas o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que deixou críticas ao governo grego liderado por Alexis Tsipras e disse sentir-se "traído" pela Grécia. "Vou pedir aos gregos para votarem 'sim'", disse, reforçando que os gregos "devem dizer 'sim' à Europa".