A cabeça de lista às europeias do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, defendeu esta quarta-feira a renegociação dos prazos de pagamento da dívida pública portuguesa, classificando como «insustentável» a dívida dos países periféricos.

«Há muito tempo que se fala na renegociação da dívida como fundamental para pagar a crise na zona euro e é uma boa notícia que várias pessoas se tenham juntado, de vários quadrantes políticos, para vir reclamar esta questão, porque é uma evidência», disse a eurodeputada.

«A dívida dos países periféricos é insustentável e não há cá essa distinção entre os honradinhos que querem pagar a dívida e os outros que não querem pagar», considerou ainda.

Maria Matias salientou que Portugal quer honrar os seus compromissos «com condições justas e renegociando a dívida», nomeadamente os prazos de pagamento.

Um manifesto divulgado na terça-feira, subscrito por 74 personalidades, considera que a dívida pública de Portugal é insustentável e que não permite ao país crescer, pelo que defende uma reestruturação que deve ocorrer no quadro europeu.

O documento em causa, que defende a reestruturação da dívida pública acima dos 60%, é assinado por figuras da política da esquerda à direita políticas, como os ex-ministros das Finanças Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix, o ex-líder do Bloco de Esquerda Francisco Louçã, o presidente da CIP, António Saraiva, o antigo secretário-geral da CGTP Manuel Carvalho da Silva, o constitucionalista Gomes Canotilho ou o ex-reitor da Universidade de Lisboa, António Sampaio da Nóvoa.