A candidata presidencial do BE considerou que a argumentação do presidente da TAP de que metade do dinheiro investido pelos privados na companhia já foi gasto e que, por isso, a privatização não pode ser revertida "não vale nada".

Em Barcelos, para um comício da sua candidatura presidencial, sexta-feira à noite, Marisa Matias explicou que "não é preciso ser um "gestor muito competente" para perceber que, se o dinheiro não foi "desbaratado", não foi gasto, mas sim "investido", a TAP não foi desvalorizada.

Partindo dos exemplos da TAP, da privatização das águas de Barcelos e dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, "negócios" que a candidata apelidou de "ruinosos", Marisa Matias apontou o dedo a outros candidatos presidenciais, afirmando que convivem "muito bem" com a "proximidade" entre a política e os negócios, porque esse é o mundo que conhecem.

"Hoje, soubemos que não se pode voltar atrás [na privatização da TAP], diz o presidente da companhia, porque metade do dinheiro [investido pelo comprador], dos 180 milhões, já foi gasto", disse, comentando as afirmações de Fernando Pinto que avisou que já foram gastos 90 milhões de euros do montante investido na companhia pelos novos donos.

"Não é preciso ser um gestor muito competente para perceber que este argumento não vale de nada", afirmou Marisa Matias, porque, sublinhou, "se o dinheiro não foi desbaratado e se não foi roubado, não foi gasto, foi investido, e se foi investido, continua na empresa e se continua na empresa, seja em dinheiro ou noutra espécie de coisas, a empresa continua a valer exatamente o mesmo".


Marisa Matias afirmou ainda que "quem negociou estes contratos ruinosos para o Estado, ficou muito bem na vida, mas quem ficou onde esses contratos ruinosos foram negociados, não ficou nada bem".

Mas, acrescentou, nem a todos aqueles negócios causaram problemas de consciência: "Tenho a certeza de que há candidatos [presidenciais] que convivem muito bem com a proximidade da política e os negócios. Fazem parte deste mundo, é o mundo que conhecem e, seguramente, não estão interessados em ver-se livre deles".

Também a porta-voz do BE, Catarina Martins, que discursou antes de Marisa Matias, apontou baterias a outros dois candidatos presidenciais, Marcelo Rebelo de Sousa e a Maria de Belém, defendendo que nenhum dos dois representa a possibilidade de se "fazerem as mudanças que são precisas fazer" no país.

"Os últimos quatro anos, são a marca do perigo que Marcelo Rebelo de Sousa pode ser. Quem esteve em silêncio quando as pessoas tanto sofriam no país, quem repetiu na televisão o que dizia o Governo das trajetórias que ai vinham ou até que o BES era sólido, não é certamente um Presidente para as mudanças que precisamos de fazer", apontou a porta-voz do bloco.

Já sobre a ex-ministra da Saúde Maria de Belém Roseira, Catarina Martins salientou a "difícil relação" entre negócios e politica.

"Nem é certamente mudança Maria de Belém, candidata do PS que nunca quis este Governo, que representa até ao último momento os que quiseram o bloco central e que representa uma difícil relação entre o interesse público e o privado, porque sabemos que trabalhava para o BES Saúde ao mesmo tempo que foi presidente da comissão parlamentar de saúde", apontou.
 

Em 2 meses 3 fraudes eleitorais da direita “caíram”


A porta-voz do BE, Catarina Martins, afirmou sexta-feira, que em dois meses "caíram" três "fraudes eleitoras" da direita: a devolução da sobretaxa, a trajetória de crescimento e "agora" a teoria dos "cofres cheios".

Segundo dados da Unidade Técnica de Apoio Orçamental, a que a Lusa teve quinta-feira acesso, o anterior Governo gastou em novembro pelo menos 278,3 milhões de euros da almofada financeira de 945,4 milhões de euros prevista no Orçamento do Estado para 2015 (OE2015), o equivalente a 30% daquele montante.
 

"Há a expressão de o último a sair que feche a luz, neste caso, o Governo a sair tentou levar a lâmpada".


Para a porta-voz do Bloco, depois das eleições de 04 de outubro, os números da economia portuguesa estão a desmentir as bandeiras eleitorais da coligação PSD/CDS-PP.

"A sobretaxa que ia ser devolvida em 35%, afinal é zero. Depois, era a economia que ia crescer e eis que não quando vieram os dados do 3.º trimestre, que embora algumas pessoas do PSD e CDS não saibam, é antes de outubro ficamos a saber que a economia em Portugal estava estagnada porque o investimento caiu, continuou a cair e não foi pouco", referiu.

E depois, "eis que não quando, vêm os cofres cheios. Dizia Maria Luís Albuquerque que estavam lá 700 mil milhões de euros para proteger o país do que pudesse acontecer com a dívida, com os juros. E afinal nem 70. São 60", apontou em último.

"Em menos de dois meses, três fraudes eleitorais da direita a cair, a sobretaxa não é devolvida, a economia não está acrescer e os cofres estão vazios", resumiu.