A eurodeputada e recandidata do BE às europeias prometeu hoje que o partido vai estar «de pé» junto das instituições comunitárias, contra a austeridade, pela renegociação da dívida e a favor de um referendo ao Tratado Orçamental.

«A alternativa que existe é clara: ou reestruturamos a dívida para garantir que há recursos para investir e promover o emprego ou a dívida reestrutura as nossas vidas. A estratégia do "bom aluno" é, por isso, suicidária. Obediência é retrocesso. Estamos aqui porque queremos o futuro, de pé, com clareza e coragem», afirmou Marisa Matias, na apresentação da moção de estratega para as eleições ao Parlamento Europeu.

A cabeça de lista bloquista definiu o sufrágio de 25 de maio como um «ajuste de contas» porque o primeiro-ministro, «Passos Coelho, disse que só sairíamos da crise empobrecendo» e «cumpriu a segunda parte».

«Empobrecemos efetivamente, mas do fim da crise, desse, nem sequer um sinal. Não há semana em que não ameacem os pensionistas com novos cortes, taxa ou imposto. Três anos e 29 mil milhões de euros de austeridade depois, a dívida pública está 20 mil milhões de euros acima do previsto no memorando de entendimento», disse.

Marisa Matias sublinhou que no dia das eleições, «qualquer desempregado tem o voto que vale tanto como o de Passos Coelho» e «até Cavaco Silva (Presidente da República) tem também apenas um voto, rigorosamente metade do que vale a opinião dos dois conselheiros despedidos de Belém por terem assinado o manifesto de reestruturação da dívida».

«Angela Merkel (chanceler germânica) só vai poder votar na Alemanha, não tem qualquer direito de voto ou veto nem em Portugal nem nos outros países da União Europeia», afirmou, acrescentando que o BE vai defender, «de pé, uma refundação da UE e suas instituições».

Segundo a eurodeputada, os adversários dos bloquistas «não são os pensionistas, os emigrantes, as minorias técnicas, os pobres, os gays, os professores ou os desempregados».

«Os nossos alvos não são a saúde, a educação, a cultura ou a ciência. O nosso inimigo é a austeridades que condena Portugal e a Europa ao desemprego e ao empobrecimento. O nosso alvo é o Tratado Orçamental», precisou.