Está dado o mote na campanha de Marisa Matias. E a candidata não poderia ter escolhido mais simbólico local. No museu Ferroviário Nacional, Marisa ficou a conhecer em detalhe o passado e presente da ferrovia e também o seu futuro (hipotecado, afirma com convicção!).

A candidata mostra-se preocupada com o desinvestimento nos comboios, e com o fosso, maior do que a tão falada bitola ibérica, que se acentuou entre Portugal e o resto da Europa. Mas há mais, atira Marisa, há também as privatizações em geral no setor dos transportes. Algumas já foram revertidas, pela mão do governo de esquerda, mas outras ainda se encontram sob ameaça, tanto maior quanto a velocidade a que Marcelo chegue a Belém e ameace, ele próprio, a vida do atual executivo. Por isso, também por isso, é preciso impedir o professor e conseguir uma segunda volta eleitoral. 

A candidata apoiada pelo Bloco elege Marcelo Rebelo de Sousa como principal adversário na corrida à Presidência e no meio das carruagens, motores, bilhetes e antigos horários ferroviários atira argumentos: é ele que está a dividir o país entre esquerda e direita; é ele que diz uma coisa e o seu contrário; é ele que quer fazer de uma derrota, uma vitória quando pede uma clarificação já a 24 de janeiro.

Marisa acredita que conseguirá evitar isso e que terá ela própria, o envolvimento de toda a esquerda numa segunda ronda eleitoral. A candidata quer comandar o país - diz-se pronta - como se de uma locomotiva se tratasse. Mas das modernas, não das outras, a carvão, que o país já andou para trás o suficiente, deixa escapar no caminho da visita rumo ao comboio presidencial. Ele está lá, existe mesmo, foi usado durante décadas para transportar chefes de Estado, e agora faz parte do espólio do museu do Entrocamento. Não é metáfora, mas podia ser. Afinal a campanha de Marisa Matias segue sobre carris…. e a todo o vapor.