Um homem da liberdade e um homem da democracia foram as expressões mais usadas por personalidades à esquerda e à direita, para definir Mário Soares, à chegada ao almoço de aniversário do ex-presidente da República.

Soares faz 90 anos: uma figura que se confunde com a democracia

«Não esqueço e nenhum português deve esquecer que Mário Soares foi o político que mais combateu a ditadura da direita antes do 25 de Abril e a ditadura de esquerda em 1975», destacou Freitas do Amaral, que chegou ao almoço acompanhado pela mulher.

Recusando fazer comentários sobre a atualidade política, Freitas do Amaral optou por destacar o objetivo do convívio no Espaço Tejo, da antiga Feira das Indústrias de Lisboa, e considerou que «se um político tão destacado da história de Portugal nos últimos 40 anos não tivesse amigos fora do PS também não tinha feito tudo o que fez».

O capitão de Abril e presidente da Associação 25 de Abril Vasco Lourenço afirmou que Mário Soares foi, acima de tudo, um «homem da liberdade, que «nunca aceitou assumir posições que colocassem em causa a liberdade».

Em declarações aos jornalistas, à chegada ao almoço, o ex-coordenador do Bloco de Esquerda João Semedo considerou que Soares «fez coisas muito boas e também muito más» no passado mas, sobretudo, frisou, «quando se fala em liberdade e democracia pensa-se em Mário Soares».

«É com homens como Mário Soares que se defende mais a liberdade e a democracia. Não estão nunca suficientemente defendidas, todos os dias temos que as defender, os 90 anos de Mário Soares são uma ótima oportunidade para isso», disse.

Acompanhado pela filha, a deputada do PS Isabel Moreira, o ex-ministro e ex-presidente do CDS-PP Adriano Moreira, referiu-se à amizade por Mário Soares e à intervenção política do ex-chefe de Estado.

«A intervenção fundamental no momento da revolução, porque essa é que ajudou a parte civil a encaminhar a organização constitucional do país. Acho que por vocação, e até hereditariamente, é sobretudo um estadista», declarou.

O ex-presidente da República Jorge Sampaio afirmou que Soares «é uma grande figura portuguesa e europeia e um homem com grande sentido estratégico que se bateu em circunstâncias difíceis por muitos momentos importantes da vida portuguesa».

Também Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud e antiga ministra da Saúde do PSD, destacou Mário Soares como um «português que se distinguiu e se distingue pela defesa da democracia».

«Não tem a ver com esta ou aquela faceta política, tem a ver com aquilo que o nosso país é e aquilo que quer ser», considerou.

O ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso, o socialista Almeida Santos e o ex-presidente da República portuguesa Jorge Sampaio, e respetivas mulheres, e o secretário-geral do PS, António Costa, acompanham Mário Soares na mesa de honra do almoço.