O deputado social-democrata Hugo Soares acusou esta quarta-feira o ex-Presidente da República Mário Soares e o ex-primeiro-ministro José Sócrates de alinharem com a «esquerda reacionária renascida», enquanto o CDS considerou que do PS já nada se espera.

No período de declarações políticas, em plenário, na Assembleia da República, o líder da JSD, Hugo Soares, começou por evocar a memória do fundador do seu partido, Francisco Sá Carneiro, repudiou em seguida qualquer «regresso à ditadura» ou aos tempos do PREC (Processo Revolucionário em Curso) e, neste contexto, insurgiu-se contra recentes posições assumidas por Mário Soares, José Sócrates e Vasco Lourenço.

«Quando se ouve um antigo Presidente da República dizer de um Governo legítimo que 'estes senhores têm de ser julgados' quando pactuou num silêncio cúmplice com um Governo que levou o país à bancarrota, onde está a ética Republicana? Quando se ouve um capitão de Abril [Vasco Lourenço] dizer que o Governo 'se arrisca a sair à paulada', onde está o respeito pela democracia que Abril instalou? Quando vemos um ex-primeiro-ministro [José Sócrates] dirigir-se, numa entrevista pública, ao ministro das finanças alemão como 'estupor', onde está a distinção e urbanidade que deve caracterizar os agentes políticos?», questionou o líder da JSD.

Para Hugo Soares, quando se observam «incitamentos à violência que parecem ser à insubordinação por parte das mesmas personagens, que alinham numa esquerda reacionária renascida, devemos todos, nesta casa, na casa da democracia, repudiar com firmeza e determinação este tipo de afirmações e comportamentos».

Na sequência desta intervenção, a bancada do PS não se inscreveu para a fase de réplica, o que levou o deputado do CDS Hélder Amaral a comentar: «Deste PS já não se espera nada.»

Na perspetiva do deputado do CDS, o atual PS «é um partido acantonado num piquete de greve ou numa Aula Magna», numa alusão às conferências promovidas por Mário Soares na Reitoria da Universidade de Lisboa.

«Se há momento em que se exigia sentido de responsabilidade e patriótico era este, mas é curioso que o partido responsável pela atual situação do país se demita das suas obrigações e fique em silêncio perante os apelos à insubordinação», referiu Hélder Amaral.