PSD e CDS rejeitaram o teor da petição que apoia uma carta aberta encabeçada pelo ex-Presidente da República Mário Soares, a apelar ao primeiro-ministro a uma mudança de políticas sob pena de demissão.

A petição, que mereceu o apoio de todas as forças da oposição no parlamento, resultou de uma carta aberta subscrita em novembro de 2012 por dirigentes do PS, do Bloco de Esquerda, por sindicalistas, professores universitários e figuras da cultura conotadas com a esquerda.

Pela parte da maioria governamental, o deputado do PSD Cristóvão Crespo advertiu que «nenhum outro governo viu a sua ação tão escrutinada como este, ou pelo Parlamento, ou pelo Tribunal Constitucional, ou pelos cidadãos, mas também pela troika».

«Concordamos que Portugal sofre de uma doença muito grave, mas não é o atual médico que pode ser responsabilizado. Outros médicos deixaram constipações evoluir para pneumonias e agora aparecem com soluções milagrosas», disse - uma lógica também partilhada pela deputada do CDS Cecília Meireles.

«Esta carta aberta fala-nos sobre o ano de 2012 e é própria de quem tem facilidade em criticar as consequências e não critica as causas. Mas a História julgará o papel de cada um dos governos. Reconhecemos as dificuldades de 2012, mas também reconhecemos em 2014 sinais de esperança», declarou a ex-secretária de Estado do Turismo.

Ao contrário do PCP e do Bloco de Esquerda, que pegaram na petição para reivindicar a demissão imediata do Governo e a convocação de eleições antecipadas, o deputado socialista João Paulo Correia referiu que o Grupo Parlamentar do PS concorda com o teor do documento subscrito por Mário Soares.

«Apesar de decorridos 13 meses, o documento continua a ser atual porque a realidade económica e financeira se mantém preocupante. Este Governo lançou uma política de austeridade cega sobre as famílias e as empresas, tendo como resultados o empobrecimento do país, o aumento do desemprego e da emigração», sustentou o deputado do PS.

Helena Pinto (Bloco de Esquerda) considerou que «mais cedo do que pensam alguns deputados [da maioria PSD/CDS] haverá eleições neste país» e acusou os partidos que suportam o atual Governo de terem «violado» os seus compromissos eleitorais.

Para o presidente do Grupo Parlamentar do PCP, João Oliveira, a atual conjuntura é vista de forma distinta consoante a condição de classe económica e social de cada cidadão.

«Se para os trabalhadores significa a ruína das suas vidas, para os banqueiros a ruína dos outros satisfaz a sua felicidade face a uma política de concentração da riqueza», acusou.

Após traçar este dualismo de ordem de classe, João Oliveira criticou a maioria PSD/CDS por usar «duas cassetes do tem de ser», ou para justificar medidas de austeridade, ou para justificar medidas em nome dos mercados financeiros.

«A conclusão deste processo tem de ser a demissão deste Governo custe o que custar», defendeu o líder parlamentar do PCP, como reporta a Lusa.