Por: tvi24 / SM | 23- 4- 2011 11: 8
Mário Soares, fundador do PS e antigo primeiro-ministro que chamou o FMI em 1983, revela em entrevista ao jornal «I» que
teve ultimamente «alguns encontros» com o líder do PSD «para estabelecer algumas pontes necessárias» e diz que Passos Coelho
«é uma pessoa bem-intencionada com quem se pode falar».
Por isso, Soares admite ao «I» que lhe «custa compreender»
que Sócrates e Passos Coelho não se entendam. «Tem talvez a ver também com o temperamento de cada um», diz, não querendo aprofundar
o tema. «Acho, simplesmente, que é preciso que eles se entendam, em virtude do supremo interesse nacional».
De Passos
Coelho, com quem tem «velhas relações», quando este militava na JSD e com quem tem tido «ultimamente alguns encontros, para
estabelecer algumas pontes necessárias», diz então: «Acho que é uma pessoa com quem se pode falar e acho que é necessário
falar com ele e, se possível, chegar a acordo. É o líder do segundo maior partido português. Acho que não são os partidos
adversos que devem escolher os líderes dos outros partidos. Ser o PSD a escolher um outro líder do PS e dizer "não quero Sócrates",
isso não faz qualquer sentido. Só fortalece Sócrates aos olhos dos militantes do PS. E se os militantes do PS disserem "não
queremos Passos Coelho" só fortalecem Passos Coelho aos olhos do PSD».
E frisa mesmo que «em democracia não há inimigos,
como nas ditaduras. Só há adversários, que podem ser, em muitos casos, amigos pessoais».
Soares diz que «há uma
certa crispação na sociedade portuguesa, evidente, que é muito desagradável». «É preciso mudar o estilo, com os políticos,
semana a semana, a agredirem-se, sem respeito mútuo, no parlamento. Há palavras que não devem ser ditas. Os eleitores apreciam
o respeito dos políticos, uns pelos outros, entre partidos diferentes», defende.
Defende que «o Presidente da República
devia ter intervindo e não o fez» para tentar agilizar um pacto entre o PSD e o Governo. Para Soares, Cavaco Silva «não pode
ficar silencioso». «Penso que os dois principais partidos sabem disso. Evidentemente que se eles tivessem a sua bênção quanto
a um entendimento seria fundamental. Tenho-me batido para que se consiga, um entendimento interpartidário, tentando convencer
as pessoas com quem falo de que é indispensável conseguir esse entendimento».
Questionado se acredita que vai convencer
Cavaco Silva, Soares afirmou não ter «essa pretensão». «Fiz-lhe um apelo, a dizer que era necessário um entendimento. Foi
um apelo angustiado, como lhe chamei. Se não fizer nada, parece-me evidente que tudo fica mais difícil».
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