
O antigo Presidente da República Mário Soares, um dos pais das Cimeiras Ibéricas, defendeu hoje que a 25ª cimeira luso-espanhola da próxima semana no Porto deve continuar a avançar para aprofundar e «concretizar» os laços entre Portugal e Espanha.
«Sou o maior partidário dessas cimeiras. Sou dos que pensam que Portugal e Espanha devem, por todas as razões, políticas e outras, ter o relacionamento o mais completo possível», afirmou em Madrid à agência Lusa.
Mário Soares, então primeiro-ministro, foi o anfitrião em 1983, em Lisboa - onde esteve o seu homólogo Felipe González - , da primeira das 24 cimeiras já realizadas entre Portugal e Espanha e que marcou os princípios dos encontros bilaterais.
Solidariedade, cooperação, concertação e informação e consulta foram os princípios estabelecidos nesse acordo, a Declaração de Lisboa, e que, desde aí, têm pautado as reuniões ibéricas.
Falando no âmbito de um encontro promovido pelo Fórum dos Portugueses em Madrid, Mário Soares disse sentir-se «honrado» de ter - logo após a transição espanhola e quando ainda Adolfo Suarez era chefe do Governo espanhol ¿ vindo a Espanha «acabar com o pacto ibérico», que existia entre os dois ditadores Salazar e Franco.
«Mudámos o pacto ibérico por um pacto de amizade que tem vindo a desenvolver-se. Mantivemos sempre boas relações, desde esse tratado de amizade», afirmou.
«Mas às vezes, e isso é o que acho que é grave, as relações são boas, mas não se levam até ao fundo. Não há muita concretização disso. Deve haver essa concretização porque só temos a ganhar um como o outro em ter boas relações», disse.
Soares referiu-se ainda à proximidade que já existe entre os dois Governos e defendeu que as forças da esquerda de Portugal e Espanha "devem aproximar-se cada vez mais".