O CDS-PP considerou que o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mário Draghi, fez uma "confirmação efusiva", esta quinta-feira, sobre a existência de medidas adicionais, as quais são "sonegadas" pelo Governo ao parlamento e aos portugueses.

Uma posição assumida pela vice-presidente do CDS-PP Cecília Meireles, na Assembleia da República, após a divulgação da intervenção do presidente do BCE na reunião do Conselho de Estado, na qual participou como convidado do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Já toda a gente percebeu que há medidas adicionais preparadas, o primeiro-ministro [António Costa] já reconheceu que existem, todos esperamos que não sejam necessárias, mas, na verdade, todos temos o direito de as conhecer", declarou a dirigente democrata-cristã.

Cecília Meireles acusou então o executivo socialista de estar a "sonegar" essas medidas adicionais, no âmbito do Orçamento do Estado para 2016, ao parlamento e aos portugueses.

É básico para qualquer oposição conhecer aquilo que está a ser pensado e planeado. [Mário Draghi] saudou o Governo português por ter preparado essas medidas adicionais. Portanto, é uma confirmação efusiva sobre a existência de medidas adicionais e de um plano preparado" nesse sentido, sustentou.

Da intervenção Mário Draghi no Conselho de Estado, Cecília Meireles congratulou-se também por o presidente do BCE ter alertado para o facto de um país "não estar no bom caminho quando opta sistematicamente por reverter e rever reformas".

É uma preocupação que o CDS também tem. Há também uma preocupação sobre o desemprego jovem, porque é de facto um grave problema europeu e em particular português", afirmou ainda a deputada do CDS-PP.

Cecília Meireles defendeu neste contexto que "é preciso conhecer o Programa de Estabilidade" em preparação pelo Governo, porque só a partir dele se poderá discutir com propriedade o Programa Nacional de Reformas.

A vice-presidente do CDS lamentou também que o Programa de Estabilidade, documento que tem de ser entregue em Bruxelas até ao final do mês, não tenha ainda sido objeto de qualquer apresentação diante das forças da oposição.