Mário Centeno assegurou que o PS vai cumprir as suas "responsabilidades europeias" e "honrará todos os compromissos do país", mas não sem defender uma ideia de solidariedade no contexto do projeto europeu. O coordenador do cenário macroeconómico do PS, que António Costa já escolheu para a pasta das Finanças, acusou o Governo de ter um programa que é "uma mão cheia de nada" e "outra de coisa nenhuma": sem compromissos, sem números e que, por isso, se despede do parlamento "com justa causa".

"A ideia de uma Europa que trazemos connosco é a de uma Europa solidária. Portugal perdeu Europa nos últimos quatro anos. O programa de governo de que hoje nos despedimos com justa causa não resolve os problemas. O PS assume as suas responsabilidades europeias e honrará todos os compromissos do país. Portugal precisa de outra politica."


A questão europeia é abordada no programa da direita de forma "vaga", defendeu Centeno. E quanto ao programa, o deputado socialista descreveu-o como "cinismo em forma do vazio" para depois disparar nas críticas. Apontou a ausência de compromissos, exemplificando com o caso do salário mínimo, e de números, que quando existem "não estão corretos". "Uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma",atirou.

"Depois do que observámos nos últimos quatro anos a forma mais simples para definir a visão da economia do programa do Governo é o cinismo em forma do vazio. O programa é uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma."


Num discurso que teve direito a poesia, com citações de Mia Couto e de Adriano Correia de Oliveira, Centeno também tirou partido da ironia. Recordou as palavras de Passos Coelho no hemiciclo no dia anterior para reiterar que a austeridade é "uma ideologia", "uma escolha" de PSD e CDS. A direita, vincou, serviu-se da "desculpa da troika" para dizer que "não há alternativa".

"Ontem queixou-se que a austeridade tinha sido imposta mas quando a ideologia é uma escolha, um destino. Foi ou não o primeiro-ministro que se lamentou por apenas ter falhado na redução dos custos salariais? Isto é austeridade ou redenção?"


Sobre a ausência de entendimento entre o PS e a coligação, o socialista sublinhou que "é falso que o PS não se tenha disposto a saber mais acerca das propostas da direita". "Não responderam a nenhuma das 51 perguntas", acrescentou.