O porta-voz do CDS-PP anunciou esta quarta-feira que vai entregar um requerimento para que o ministro das Finanças, Mário Centeno, responda no Parlamento sobre a Caixa Geral de Depósitos, considerando que se esgotaram as oportunidades de transparência do executivo.

O CDS entende que não há mais tempo. O Governo teve hoje a última oportunidade para ser transparente neste processo, por isso, vamos ainda hoje dar entrada de um requerimento para ouvir com urgência o senhor ministro das Finanças na comissão de Orçamento e Finanças para esclarecer os contornos deste processo", anunciou João Almeida, aos jornalistas.

João Almeida disse ainda que "não é verdade que o CDS tenha sido consultado para a escolha do novo presidente da Caixa Geral de Depósitos, conforme foi dito pelo ministro das Finanças", mas apenas "informado da intenção" do Governo "quando a notícia tinha acabado de ser pública".

O porta-voz centrista falava no Parlamento após a conferência de imprensa do ministro das Finanças, Mário Centeno, cujos esclarecimentos considerou insuficientes.

"Aquilo que ficámos a saber é que haverá reduções de pessoal e encerramento de agências, confirmando algumas das notícias que tinham vindo a público. Sobre valores, sobre ‘timings', sobre aquilo que é relevante do ponto de vista do défice e da dívida, não houve qualquer informação da parte do Governo", disse, segundo a Lusa.

João Almeida defendeu que "não são os partidos que apoiam o Governo que têm direito a saber, são os portugueses e a maneira de os portugueses saberem o que está em causa é o parlamento".

"O senhor ministro das Finanças disse na conferência de imprensa que as linhas gerais do processo tinham sido comunicadas aos partidos e grupos parlamentares que apoiam o Governo. Há portugueses que votaram nesses partidos e há portugueses que votaram noutros partidos, todos eles pagam impostos e é o dinheiro de todos que vai servir para capitalizar a Caixa Geral de Depósitos", argumentou.

Para o porta-voz do CDS, "percebeu-se que o Governo, até o Governo, já chegou à conclusão que a gestão deste processo é totalmente inaceitável".

"O que se está a fazer é decidir como aplicar uma verba substancial dos impostos dos portugueses sem que o parlamento e os portugueses saibam os termos e as razoes para essa aplicação de capital. Serão quatro ou cinco mil milhões de euros, o que está em causa aqui é a transparência do processo e sobre isso esta conferência de imprensa não acrescentou absolutamente nada", declarou.