O PSD apresentou esta sexta-feira no parlamento um requerimento para a audição “urgente” do ministro das Finanças, Mário Centeno, sobre o processo de resolução do Banif, disse o deputado social-democrata Leitão Amaro à Lusa.

Lembra a Lusa que, na origem deste requerimento estão as notícias que têm vindo a público nas últimas três semanas sobre o processo de venda do Banif e que, de acordo com Leitão Amaro, são “muito preocupantes para os contribuintes”.

O PSD quer a presença de Mário Centeno na Comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa.

Na sequência de um pedido do PSD, o parlamento agendou para 22 de janeiro a discussão da criação da comissão de inquérito ao Banif, anunciou na quarta-feira o líder parlamentar do partido, que propôs também a realização de uma auditoria externa ao banco.

A auditoria deverá incidir sobre o "processo que levou à capitalização em 2012, quer aos atos de gestão e várias tentativas de recuperação quer à depreciação do valor do banco que decorreu de forma repentina e acentuada nas últimas semanas, quer à solução de resolução e de venda de ativos ao Santander".

A 20 de dezembro, domingo ao final da noite, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros ativos – incluindo ‘tóxicos’ – para a nova sociedade veículo que foi denominada Naviget.

A resolução foi acompanhada de um apoio público de 2.255 milhões de euros, sendo que 1.766 milhões de euros saem diretamente do Estado e 489 milhões do Fundo de Resolução bancário, que consolida nas contas públicas.

A este valor somam-se as duas garantias bancárias que o Estado presta, no total de 746 milhões de euros, e ainda os 825 milhões de euros da injeção de capital que o Estado fez em 2012 no banco (700 milhões em ações e 125 milhões de dívida híbrida – ‘CoCo bonds’ - que o Banif ainda não tinha pago) e que foram dados como perdidos no âmbito do resgate.

No total, e tendo em conta os valores até agora conhecidos e retirando o valor pago pelo Santander Totta, o resgate ao Banif pode custar ao Estado - e, logo, aos contribuintes - até 3.700 milhões de euros.