O cenário macroeconómico do PS apresentado na terça-feira defende mexidas no fator de sustentabilidade das pensões e a idade da reforma pode vir a aumentar. Foi isso mesmo que admitiu o representante do grupo de trabalho que criou esse plano socialista, Mário Centeno, em entrevista ao Jornal das 8 da TVI.

A revisão do fator de sustentabilidade significa considerar um conjunto mais vastos de indicadores da reforma» e, se for caso disso, «significa adiar a idade da reforma»


Economista, doutorado em Harvard, trabalhador do Banco de Portugal. Mário Centeno não era, no entanto, conhecido pela sua postura política. Pois é ele o representante do grupo de trabalho que juntou economistas para criar o cenário macroeconómico do PS para a próxima legislatura.

O plano prevê que,  a partir de 2021, as novas pensões sejam ajustadas na proporção da menor contribuição», ou seja, a aplicação deste quadro apenas terá «efeito entre 1,2 e 2,6% e só será sentido nas pensões a receber a partir de 2027. «Uma proposta consideramos justa e equitativa» e que «devia ocorrer tão depressa quanto acordo global sobre as pensões», defendeu Mário Centeno.

O economista rejeitou que o cenário macroeconómico seja um programa político, mas sim um conjunto de medidas públicas e disse que é possível concretizá-las.

«A motivação, do meu lado, é uma motivação de cidadania, fazer um esforço para que a discussão de políticas públicas em Portugal possa ser feita num contexto de analise económica extremamente cuidada»

«Não há nada de alquímico nisto, não é definitivamente miraculoso (...).Conseguimos demonstrar que o crescimento económico» representa «um esforço difícil»: para crescer os níveis 2,6% não é um número muito diferente do programa de estabilidade, mas é um número que se consegue com mais esforço, de facto. Otimismo é crescer 2,4% com a redução do défice como é apresentada no programa de estabilidade e crescimento»


Admitindo que as medidas do PS «dão muito mais trabalho à economia», encara isso com otimismo  e diz que houve uma «modelação muito cuidada», mas com um «grau de confiança bastante grande» na sua formulação. Está otimista porque esse trabalho mais árduo significa «tecido produtivo e económico interno com alguma dinâmica», em que entram três forças: famílias, trabalhadores e empresas, e administração pública. 

Salários: comparação entre o programa do Governo e o plano do PS

O debate parlamentar sobre o Programa de Estabilidade e Crescimento e sobre o plano de reformas do Governo esteve hoje bastante centrado neste ponto fora da agenda: precisamente o plano do PS. A ministra das Finanças advertiu que os socialistas querem «devolver mais depressa para depois tirar em dobro» e o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, defendeu que o cenário macroeconómico do PS pode ser o novo memorando da troika

O primeiro-ministro, por sua vez, que não esteve no Parlamento comentou o plano socialista dizendo que as propostas são para «ajudar» nas eleições

As críticas do Governo mereceram rapidamente resposta por parte do secretário-geral do PS. António Costa não teve meias palavras: «É preciso descaramento». A a comissão política nacional do PS esteve reunida esta noite e a redução da TSU é um dos temas que está a suscitar mais dúvidas aos socialistas, segundo apurou a TVI.