O cabeça de lista do Movimento Partido da Terra (MPT) às eleições europeias, Marinho Pinto, manifestou-se esta quinta-feira contra o Tratado Orçamental, defendendo um regresso ao espírito do Tratado de Roma e à «pureza» fundadora da União.

«Acho que foi precipitado Portugal ter assinado um Tratado Orçamental nos termos em que assinou, em que reduz um défice estrutural para 0,5%. Foi leviano da parte do Governo português ter aceitado essas condições e, sobretudo, não ter provocado um grande debate nacional em torno dessas questões», afirmou à Lusa Marinho Pinto.

O MPT inaugurou hoje a sua sede de campanha, na avenida de Roma, em Lisboa, e lançou o manifesto eleitoral às eleições europeias de 25 de maio.

«Nós temos um défice estrutural relativamente ao qual o Governo canta de vitória de 3%, ou seja, seis vezes superior aquele que se comprometeu no Tratado Orçamental», criticou Marinho Pinto, que não concorda igualmente com a união bancária hoje aprovada, considerando que segue «as exigências da Alemanha».

Na sua intervenção, o cabeça de lista do MPT e ex-bastonário da Ordem dos Advogados comprometeu-se a «lutar para reconduzir as instituições europeias à pureza original».

«É preciso recuperar as ideias do Tratado de Roma», declarou.

«Se formos eleitos, não só um, mas dois ou três ou mais deputados, iremos ter um combate muito grande no Parlamento Europeu. Haverá vozes portuguesas que defendam os interesses de Portugal no Parlamento Europeu», afirmou, dizendo pugnar por «uma Europa da cidadania, da liberdade, da justiça e da solidariedade».

Liberdade, justiça e solidariedade são os três princípios do manifesto eleitoral que o MPT apresentou.

Nesse âmbito, Marinho Pinto defendeu o «direito a um fim de vida com dignidade», afirmando que «o Estado não pode fazer com os idosos, os pensionistas e os reformados o que tem estado a fazer», sobretudo quando isso «contrasta com a abertura que tem com quem originou a crise, os bancos».

Ainda dentro do princípio da solidariedade, incluiu o tratamento a dar às crianças institucionalizadas, considerando «inadmissível» a possibilidade de adoção e coadoção por casais do mesmo sexo.

«O Estado tem de garantir a essas crianças uma família o mais próximo possível da sua família biológica. O que se preparava para fazer com a coadoção era terrível para muitas crianças», declarou.

O candidato do MPT defendeu a necessidade de «trazer mais verdade à política portuguesa» e anunciou que caso seja eleito suspenderá a sua inscrição na Ordem dos Advogados, garantindo que não fará «lobby» pelos seus clientes em Bruxelas.

Marinho Pinto insurgiu-se contra as «encenações grotescas» entre políticos, afirmando que o cabeça de lista da coligação Aliança Portugal (PSD/CDS-PP), Paulo Rangel, e o cabeça de lista do PS, Francisco Assis, enfrentam-se como «duas picaretas falantes, como se houvesse um oceano de diferenças a separá-los», quando, disse, na realidade, «pensam o mesmo, e pior, agem quase da mesma forma».