Os chefes de Governo de Portugal, Pedro Passos Coelho, e Espanha, Mariano Rajoy, defendem que são necessários «passos decididos» no sentido de «um funcionamento mais harmonioso e decisivo» da União Europeia e da zona euro.

«Os chefes de Governo congratularam-se com a conclusão do Programa de Assistência Económica e Financeira em Portugal, e do Programa de Assistência Financeira para a Recapitalização de Instituições Financeiras em Espanha. É agora especialmente necessário que, aos exigentes esforços nacionais de reforma e consolidação orçamental dos últimos anos, correspondam passos decididos a nível europeu, envolvendo todas as instituições e Estados-membros, em vista de um funcionamento mais harmonioso e inclusivo da área do Euro e da União Europeia», refere a declaração conjunta final da XXVII Cimeira Luso-Espanhola, realizada esta quarta-feira em Vidago, Chaves.

No plano europeu, Pedro Passos Coelho e Mariano Rajoy consideraram também ser «urgente uma resposta europeia, célere e concertada» aos «elevados níveis de desemprego, nomeadamente do desemprego jovem», apontando os seus custos sociais e económicos. Por outro lado, apelaram «a todas as partes para que respeitem os resultados» das eleições na Ucrânia.

Os dois chefes de Governo manifestaram «satisfação com a realização das eleições presidenciais na Ucrânia» e apelaram «a todas as partes para que respeitem os resultados daquelas eleições e contribuam para o desanuviamento da situação, em especial no leste do país», reafirmando «o apoio à soberania e integridade territorial da Ucrânia».

Durante o IV Conselho Luso-Espanhol de Segurança e Defesa enquadrado nesta cimeira, os dois governos já tinham apontado a crise na Ucrânia como uma «séria ameaça à estabilidade euro-atlântica» e considerado que está em causa «a violação, pela Rússia, da integridade territorial da Ucrânia», que condenaram.

No que respeita às recentes eleições para o Parlamento Europeu, o documento conjunto hoje assinado refere que Passos Coelho e Rajoy «analisaram atentamente» os seus resultados, e «assinalaram, nesse contexto, a maioria sólida obtida pelos partidos defensores do projeto europeu e reconheceram a necessidade de focar a ação da União nas questões prioritárias para os cidadãos».

Ainda no que respeita à União Europeia, os dois «reiteraram o seu compromisso de aprofundar o projeto europeu, completar a União Económica e Monetária, bem como reforçar a legitimidade democrática», e saudaram os «acordos alcançados para pôr em marcha a União Bancária», pedindo a sua «aplicação atempada».

Quanto ao comércio, manifestaram-se empenhados na «conclusão da Parceria Transatlântica» e manifestaram-se a favor de uma reforma que combata as «práticas desleais» e assegure «condições de concorrência equitativas» em termos globais.

Para além disso, «reiteraram a necessidade de uma abordagem global da União Europeia ao fenómeno migratório, permitindo fazer face à intensificação dos fluxos de imigração ilegal que afetam, em particular, os países do Mediterrâneo».