No dia em que a TVI dedicou a emissão às mulheres, Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), e Mariana Mortágua, deputada do BE, falam sobre a presença das mulheres na política e as desigualdades de género em Portugal em entrevista no Jornal das 8.

Na política, como noutras áreas da sociedade, a mulher deve, na opinião da porta-voz do BE, ser encarada e reconhecida pelo seu mérito e não pelo género. “As mulheres devem ser protagonistas pelo trabalho que fazem e não por serem mulheres”, disse. 

Para Catarina Martins, “a presença de homens e mulheres na política é uma questão de democracia” apesar de muitas decisões da vida nacional “estarem fechadas num grupo de homens” que nem sempre abordam os temas do quotidiano que acabam por afetar mais as mulheres.

Mariana Mortágua partilha da mesma opinião. “Sempre que são afetadas áreas estruturantes da sociedade são as mulheres que sofrem em primeiro lugar”, como aconteceu quando o abono de família foi diminuído ou foram aumentados os encargos com lares e educação. 

Numa altura em que se debate o Orçamento de Estado para 2016, Catarina Martins sublinhou que “há uma série de medidas sociais que foram debatidas não só por mulheres, como é o caso do aumento do abono de família”.

"A desigualdade de género é algo muito sério em Portugal”

Apesar dos esforços para diminuir as diferenças entre homens e mulheres, em Portugal ainda há diferenças salariais, laborais e sociais entre géneros. “Julgo que há hoje imenso respeito e um certo carinho por haver mulheres na política com as mesmas responsabilidades que os homens”, considera Catarina Martins, mas a desigualdade de género continua a ser “algo muito sério em Portugal”.

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Questionada sobre a ausência de mulheres no poder, nomeadamente à frente do Governo e da República, a dirigente bloquista tem uma posição clara e defende que “ninguém cede o poder, tem de ser sempre conquistado”. Para Catarina Martins, a mulher ainda tem que se esforçar muito para sobressair num mundo onde as diferenças de género lideram. Este é um país “paternalista, que não leva a sério as opiniões das mulheres e não trata as mulheres como trataria homens nas mesmas posições”. Apesar desta realidade, a representante do BE considera que a luta por mais direitos e reconhecimento faz parte do papel da mulher e no dia em que tudo esteja mais equilibrado será sinonimo de já não ser necessário “trabalharem mais 65 dias por ano para receberem o mesmo que os homens”.

As mulheres no Parlamento

A lei da paridade portuguesa prevê a presença de uma representação mínima de 33,3% de mulheres nas listas apresentadas para eleger deputados à Assembleia da República. Nos corredores, esta presença feminina passa muitas vezes despercebida. A deputada do BE garante que já sentiu a pressão e uma exigência superior por ser mulher. Na Comissão de Inquérito ao Caso BES, a prestação de Mariana Mortágua foi elogiada diversas vezes pela postura assertiva adotada durante as suas intervenções.

Apesar desta situação, a deputada garante que “qualquer mulher no Parlamento já sentiu que tem de trabalhar o dobro” para se evidenciar e ver o seu trabalho reconhecido porque “as mulheres têm que provar duas vezes o que fazem para que o seu mérito seja reconhecido”.