O Bloco de Esquerda (BE) disse esta quinta-feira esperar que a comissão de inquérito à gestão dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) recolha «toda a verdade» sobre a matéria.

«Queremos ver toda a verdade esclarecida em torno deste problema», disse a deputada bloquista Mariana Aiveca, em declarações aos jornalistas no parlamento.

Os parlamentares do Bloco, prosseguiu, atuarão com «total independência de ação» na análise a um negócio que, dizem, representa uma «gestão danosa para o país e a região de Viana do Castelo».

O PCP formalizou hoje o pedido potestativo, com as necessárias assinaturas de deputados do PS, para instaurar uma comissão de inquérito à gestão dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) e garantiu não excluir responsabilidades de anteriores governos.

O PSD acusou anteriormente PCP e PS de efetuarem uma «negociata» para deixar de fora os Governos de José Sócrates do inquérito para obter o acordo de 22 socialistas, necessários para o sucesso do pedido, que requer um quinto dos deputados eleitos (46).

Entre os parlamentares rosa que constam do rol das assinaturas encontram-se Carlos Zorrinho, Miguel Laranjeiro, Rui Paulo Figueiredo, Pita Ameixa, Nuno Sá, mas António Filipe referiu que a iniciativa angariou mais do que as 22 regimentais.

Segundo o texto, a referida comissão parlamentar, que terá a duração de 120 dias, deverá «indagar», nomeadamente «as circunstâncias e os termos» da decisão do Governo, que envolve o despedimento dos 609 trabalhadores.

A concretização desta Comissão Parlamentar de Inquérito foi possível com o acordo entre PCP e as dezenas de deputados do PS, que se juntaram aos oito bloquistas e dois ecologistas.

O contrato de subconcessão dos terrenos e infraestruturas dos ENVC até 2031 foi assinado a 10 de janeiro e a nova empresa West Sea, criada pelo grupo Martifer, pagará ao Estado uma renda anual de 415 mil euros.