Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças, assegurou esta terça-feira, na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide que os partidos que compõem a coligação Portugal à Frente querem continuar o trabalho iniciado nos últimos quatro anos, prometendo manter a disciplina das contas públicas e assegurando que querem "baixar a carga fiscal".

Antes, a ministra das Finanças,  rejeitou hoje a "receita" socialista para os próximos anos, lembrando a forma como as propostas do PS "falharam tão rotundamente" no passado.
 

"Como é possível que um partido se apresente aos portugueses com propostas que falharam tão rotundamente quando aplicadas no passado? E como é possível que se afirme agora que sim, agora resulta. Porquê? O mundo já não é global? A competitividade deixou de ser importante? Já não vivemos numa economia aberta? Porque haveriam os portugueses de acreditar que exatamente a mesma receita que conduziu ao desastre de 2011 produziria agora resultados diferentes? Simplesmente, não é credível"


Falando perante os alunos da Universidade de Verão do PSD, que decorre até domingo em Castelo de Vide, Maria Luís Albuquerque centrou a sua aula de "Finanças Públicas Sustentáveis" na oposição entre o programa socialista e o programa da coligação PSD/CDS-PP, recordando o passado e os anos que antecederam abril de 2011, quando Portugal se viu obrigado a pedir o terceiro resgate em 40 anos.



"O que aconteceu em Portugal não foi obra do acaso, nem um azar que tivemos", sublinhou a ministra das Finanças, que encabeça a lista da coligação PSD/CDS-PP no distrito de Setúbal para as eleições de 04 de outubro.

Insistindo na importância de recordar as medidas que o Governo PS adotou para enfrentar as crises financeiras de 2009 e 2011, Maria Luís Albuquerque recordou as apostas no aumento do consumo público e privado, "como se o país não tivesse problemas de desequilíbrio externo e de excesso de endividamento público e privado.
 

"E, essa lição é de facto muito importante, porque só o facto de não ter percebido o que aconteceu pode justificar que o PS volte a apresentar hoje, em 2015, depois de um resgate duríssimo para todos os portugueses, de novo a mesma receita"


Num discurso que começou com o alerta aos alunos ‘laranjas' de que não seriam poupados ao "mantra" da importância da disciplina das contas públicas e sobre a natureza "crucial" das eleições legislativas, a ministra das Finanças contrapôs a falta de credibilidade das propostas socialistas à confiança que geram as propostas da coligação PSD/CDS-PP.

"A credibilidade, como a confiança, não se proclama, nem se reclama, merece-se", disse, já depois de enunciar as medidas tomadas nos últimos anos pelo atual Governo durante os "penosos" três anos de ‘troika' e de lembrar os indicadores económicos divulgados nos últimos meses que "comprovam a recuperação ampla da economia nacional".
 

"Por mais que a oposição tente fazer crer que o país está pior, a realidade todos os dias nos diz o contrário"


Contudo, alertou, apesar da melhoria da situação, que não é altura de anunciar que já tudo passou e que podemos de um momento para o outro "passar uma esponja no que aconteceu e repetir os mesmos erros".

"O que seria de Portugal se nos próximos anos se voltasse repetidamente a aumentar a despesa? Se se prometesse tudo a todos? Na melhor das hipóteses, teríamos uma breve ilusão de crescimento, para voltarmos a acordar para uma realidade ainda mais dura que a de 2011", avisou.