A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, criticou esta quinta-feira «o facilitismo» e «a repetição dos mesmos erros» em Portugal, após três programas de ajustamento em menos de quatro décadas, defendendo «responsabilidade» na gestão das contas públicas.

«Em menos de quatro décadas, Portugal executou três programas de ajustamento. Contudo, em vez de valorizar os resultados alcançados com um decisivo e intenso esforço coletivo em tempos de crise, mantendo essa mesma determinação nos períodos pós-programa, cedemos antes ao facilitismo dos tempos melhores, acabando por repetir os mesmos erros sucessivamente», criticou Maria Luís Albuquerque.

Falando na sessão de encerramento da conferência «Futuro de Portugal», a ministra defendeu que «a importância de prosseguir o ajustamento está presente», apesar da recuperação económica, uma vez que os níveis de dívida pública e privada são ainda elevados e que «o potencial de mais reformas é ainda grande».

«À medida que as condições económicas melhoram, e que a margem de manobra política aumenta, as restrições de outrora parecerão cada vez mais distantes e cada vez menos condicionantes», disse a governante, considerando que este é, por isso, «um momento decisivo».

«Hoje, e depois de programa particularmente difícil, no contexto dos desafios e da participação no euro, temos o dever de tomar responsabilidade como imperativo. Responsabilidade na gestão das contas públicas, pois na origem de todos os programas esteve a incapacidade do Estado em obter financiamento», defendeu.

A ministra não quis falar aos jornalistas no final da conferência o Futuro de Portugal, onde participaram professores académicos, economistas e políticos, numa homenagem póstuma ao economista António Borges, que faleceu em agosto de 2013.