Maria Luís Albuquerque não descarta a hipótese de suceder a Pedro Passos Coelho na liderança do PSD. Numa entrevista ao Diário de Notícias, a antiga ministra das Finanças admite que “nunca se deve dizer nunca” e que essa é uma matéria que irá “depender muito das circunstâncias”

“Relativamente a matérias dessa natureza não se deve dizer nunca. Depende muito das circunstâncias. Se me pergunta se tenho vontade ou se tenha essa intenção: não a tenho, mas nestas matérias, afirmações absolutas de nunca parece-me contraproducente”, afirmou ao DN.

A deputada social-democrata ressalva, porém, que essa é uma “questão que não está em cima da mesa”. Ela que se diz "passista" convicta se isso significar que tem "em grande conta as qualidades de Passos Coelho". 

Uma coisa Maria Luís exclui: a possibilidade de voltar ao Ministério das Finanças pois pretende "seguir em frente e fazer coisas novas".

Sobre a polémica que envolveu o seu novo trabalho na Arrow Global, uma gestora de dívida que teve ligações ao Banif, a vice do PSD considera que “quem está na vida política tem de estar preparado para o impacto das suas decisões”. Mais, se fosse hoje voltaria a aceitar o convite.

"Sim [voltaria a aceitar o convite], porque acho que esta discussão foi colada em termos demagógicos e populistas.”

Recorde-se que depois da notícia de que ia trabalhar para a Arrow Global, recebendo cerca de cinco mil euros brutos por mês, e acumulando este trabalho com o cargo de deputada, Maria Luís foi alvo de muitas críticas dos partidos da esquerda. 

O caso foi mesmo enviado para a subcomissão de ética da Comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias do Parlamento. 

O Parlamento concluiu que não existe qualquer incompatibilidade no caso da contratação de Maria Luís pela Arrow Global, pelo que a ex-ministra pode continuar a ser deputada enquanto trabalha para o grupo britânico de gestão de créditos.