A conselheira da União Europeia e candidata do PS às europeias Maria João Rodrigues defendeu esta segunda-feira que há sinais para «um novo consenso estratégico», mas diz que «é cedo» para perceber se irá envolver um acordo entre partidos.

«Estamos numa situação paradoxal. Esse novo consenso estratégico podia ter um apoio maioritário na sociedade portuguesa, mas para que ele emerja temos que traduzir isso em mudança de Governo», afirmou Maria João Rodrigues, precisando que se refere a «eleições quando elas ocorrerem».

A antiga ministra de António Guterres e atual número dois ao Parlamento Europeu falava na conferência promovida pelo semanário Expresso «25 de Abril, 40 anos», em Lisboa.

Questionada pelo jornalista Pedro Santos Guerreiro, que moderava o painel em que interveio, se esse «consenso estratégico» implicaria um acordo entre os partidos, Maria João Rodrigues respondeu: «É cedo para dizer isso».

Segundo Maria João Rodrigues está a esboçar-se uma cultura e há sinais de «um novo consenso estratégico» em torno de um novo paradigma que está a surgir, depois de o 25 de Abril ter introduzido também um outro paradigma.

«Portugal tem que passar para um novo paradigma e assumir-se como parceiro adulto da integração europeia», argumentou, sublinhando que «novas regras com muito alcance estão a ser definidas» pela União Europeia sem que haja uma discussão aprofundada em Portugal.

Para esse novo paradigma converge também, segundo Maria João Rodrigues, a necessidade «potenciar todos os fatores de desenvolvimento» que o país foi adquirindo, assim como a questão da sustentabilidade financeira.

«Acho que temos de levar em muito boa conta a necessidade de garantir sustentabilidade financeira», afirmou, sublinhando que vai «exigir esforço» e deve ter feito em conjunto com a «sustentabilidade económica».

Intervindo no mesmo painel, o antigo comissário europeu António Vitorino defendeu um novo contrato social, mas que não passe por uma revisão da Constituição.

O socialista disse que a revisão constitucional de 1997 permitiu a realização de reformas como a regionalização e a revisão da lei eleitoral, que não foram realizadas por falta de vontade política.

Para a «revisão do contrato social», António Vitorino antecipa que um entendimento entre os partidos será «difícil», porque o «acordo interpartidário é mais difícil do que há 20 anos», com uma «nova geração de lideranças mais marcada ideologicamente» que não valoriza tanto o compromisso, que se junta a outro fator de dificuldade que é o facto de o sistema político português ter evoluído para um «bipolarismo imperfeito», com a convergência a ser «bastante mais fácil» à direita do que à esquerda.

Por outro lado, Vitorino considera que para rever o contrato social os partidos não chegam, é necessário envolver os parceiros sociais, numa altura em que o antigo comissário deteta «um declínio da contratação coletiva, uma alteração da relação de forças, com o reforço da componente patronal em detrimento dos trabalhadores, o que a prazo, não é positivo para garantir um ambiente de paz e concertação social».