Mesmo depois de Jorge Coelho ter disparado críticas sobre Marcelo Rebelo de Sousa num jantar-comício em Viseu, esta quarta-feira, Maria de Belém mantém a posição de que não fala sobre as campanhas dos restantes candidatos presidenciais. Questionada sobre se prefere que sejam os seu apoiantes a atacar os adversários, a candidata foi breve na resposta:  "Cada pessoa que vai falar escolhe o que diz e o que faz, eu não sou censora".

Não fala especificamente sobre as campanhas dos outros candidatos, mas vai deixando recados aqui e ali. Ainda hoje, questionada sobre as declarações de Sampaio da Nóvoa - que disse que matérias que possam pôr em causa a soberania merecem ser objeto de referendo -, Maria de Belém alertou para o "desconhecimento" de alguns relativamente ao regime legal "muito exigente" do referendo.

"Temos o regime de referendos muito bem definido. [...] O instrumento de referendo tem um regime legal muito exigente e às vezes as pessoas pedem referendos para tudo e para nada, mas desconhecem esse regime legal."


Já com várias centenas de quilómetros de estrada, a ex-presidente do PS esteve em Sintra neste quinto dia de campanha. Em pleno centro histórico da vila, nem a chuva que se abateu pela manhã afastou os turistas que passeavam pelas ruas, com olhares curiosos perante tantos jornalistas, câmaras e microfones.

A comitiva de Maria de Belém chegou passava pouco das 12:00. O destino era o café Piriquita. Nesta casa, com mais de 150 anos de história, o dia começou com o famoso travesseiro pelo qual o café é muito conhecido.

Ao seu lado, novamente o socialista Vera Jardim. Ele que já tinha estado presente no primeiro dia de campanha, em Alpiarça. Mais uma vez discreto, no meio de uma pequena caravana.

Maria de Belém não têm dúvidas quando lhe perguntam se prefere um travesseiro a uma queijada. Mas à pergunta com rasteira "Marcelo ou Nóvoa?" a candidata foge ao assunto: "Maria de Belém", responde.

Comeu-se o travesseiro, bebeu-se um carioca de limão. Antes, a ex-ministra tinha deixado palavras de apreço no livro do estabelecimento.
Uma hora tinha passado. Com poucos clientes - talvez devido ao aparato num espaço de pequenas dimensões- a candidata trocou meia dúzia de palavras com potenciais eleitores. 

Os ponteiros marcavam cerca de 13:00 quando a caravana partiu em direção à próxima paragem, a cerca de 20 minutos dali: a empresa Estevão Luis Salvador, um negócio familiar que existe há seis gerações. A empresa do setor agro-alimentar trata essencialmente de produtos hortícolas que são depois vendidos e exportados. Com uma caraterística  muito importante, que a Maria de Belém quis destacar: os produtos que aqui chegam são comprados a produtores nacionais.


"É um belo exemplo da economia portuguesa e da economia portuguesa no domínio agro-alimentar. E de como uma empresa pode gerar emprego à sua volta, na medida em que aquilo que é tratado e exportado é também comprado a agricultores. É uma cadeia que acaba por fomentar muitas economias e criação de riqueza." 


Equipada a rigor, com uma capa transparente e uma touca na cabeça, a candidata não perdeu a compostura durante a visita. Muitos legumes, muitas máquinas, muitos embalados. E muitos trabalhadores surpreendidos com a passagem da comitiva.
Depois, uma outra empresa. Esta de cablagens e sistemas, a Cablotec. Aqui, Maria de Belém não teve de usar trajes especiais para distribuir sorrisos pelas várias secções. Muitas mulheres trabalhadoras.

No final, um gesto para a fotografia: a candidata recebeu um ramo de flores das trabalhadores. "Fiquei sensibilizada", admitiu . 
  Mas flores não chegam para ganhar eleições. E ainda não foi desta que Maria de Belém se aventurou pelas ruas. Essa estreia só irá acontecer amanhã.

Depois de ter passado muito tempo destes primeiros dias em instituições sociais e hospitais, a candidata quererá responder às críticas de quem a acusa de apostar tudo na economia social. Esta quinta-feira, estará pela primeira vez na rua, na feira da Nazaré. A primeira prova de fogo para Maria de Belém nesta campanha rumo às eleições.