A presidente do PS, Maria de Belém, defende que deve ser acrescentado ao Tratado da União Europeia uma dimensão social com metas imperativas e com sanções para Estados-membros não cumpridores, sustentando que as desigualdades são «escandalosas».

Maria de Belém, que assume provisoriamente as funções de secretária-geral do PS em exercício, falava na conferência anual promovida pelo Grupo Socialista Europeu no Comité das Regiões, que decorreu no Centro Cultural de Belém.

A ex-ministra dos governos de António Guterres fez um discurso muito crítico sobre a situação social à escala europeia e sugeriu que os líderes dos 28 Estados-membros deverão dar outra dimensão ao Tratado de Lisboa da União Europeia.

«São necessárias metas imperativas no plano social, que impliquem sanções por incumprimento», afirmou, dizendo que o poder político se deixou «invadir por mensagens tecnocráticas, refugiando-se nas estatísticas e esquecendo-se que as médias e as medianas muitas vezes distorcem a realidade».

A presidente do PS considerou depois que o nível das desigualdades sociais e das dificuldades económicas «atingiu uma dimensão escandalosa» e atacou o discurso relacionado com a ideia de que a dívida do presente compromete as gerações futuras.

«Esse é um conceito absurdo, porque muito daquilo que se diz ser dívida é investimento reprodutivo, que é fundamental em épocas de recessão ou de fraco crescimento. Uma criança que não come o suficiente fica com a sua capacidade cognitiva afetada e compromete o seu futuro», acrescentou a título de exemplo.

Antes, o presidente do Grupo Socialista Europeu no Comité das Regiões, o alemão Karl Heinz Lambert, falou sobre a situação de muitos jovens qualificados, provenientes de países sob assistência financeira, que esperam de Bruxelas uma solução de emprego.

«Sem capacidade de investimento é impossível gerar empregos nos seus países de origem», advertiu, numa demarcação da política financeira seguida pelo executivo de Berlim.

Já na conferência de imprensa, Karl Heinz Lambert disse haver diferenças dentro do Governo alemão entre os maioritários democratas-cristãos e os sociais-democratas.

«Não temos uma visão unilateral da austeridade», declarou.