Vera Jardim não aceita que digam que a candidatura de Maria de Belém representa a direita do PS, muito menos a ideia de que se trata de uma candidatura de facção. Num almoço-comício da ex-presidente do PS, este sábado, em Fafe, o socialista atacou Sampaio da Nóvoa com farpas que Manuel Alegre já tinha deixado na véspera: criticou o "tempo novo" defendido pelo ex-reitor da Universidade de Lisboa e voltou a falar em "batota" para se referir à sua candidatura, que se afirma independente.

"Chateia-me que digam que estou a apoiar uma candidatura da direita do PS e chateia-me mais que digam que sou um homem de facção. As duas coisas eu não aturo mesmo."


O socialista, que já participou em várias ações de campanha da candidata à Presidência, mas de forma discreta, discursou pela primeira vez nesta campanha para criticar quem fala em "facção" quando se refere à candidatura de Maria de Belém. Afirmou que não é um homem de facção e que, pelo contrário, até o criticam por ser um homem de compromisso. E não aceita que, juntamente com Manuel Alegre e Alberto Martins - outros socialistas que apoiam Belém - seja conotado com a direita do PS

"Maria de Belém apresentou a sua candidatura quando não havia nenhuma apoiada pelo PS."


Vera Jardim sublinhou que está confortável com a decisão de António Costa em relação a estas Presidenciais - não apoiando nenhum candidato -, mas que não está confortável com o cumprimento desta decisão. E aqui, foi mais longe, usando uma palavra que Alegre já tinha referido na véspera: "batota". sugerindo que Nóvoa, que se afirma como independente, está a ser apoiado por estruturas partidárias.

"Estou confortável com a decisão do secretário-geral, mas não estou confortável com o cumprimento da decisão. Temo que esteja a haver batota."


Depois, novamente o "tempo novo" do ex-reitor da Universidade de Lisboa a ser posto em causa. Vera Jardim entende que o Presidente da República tem de se colocar "acima do tempo" pois só assim poderá representar todos os portugueses.

"O Presidente da República tem de se colocar acima do tempo. Não pode ter uma candidatura de circunstância."
 

Vera Jardim disse que Maria de Belém não é uma candidata de discurso "bonito" ou  de"sopa de letras", lançando o mote para a ex-ministra reiterar esta mesma ideia, momentos depois.

Em Fafe, Maria de Belém disse que não é "malabarista" ou "misturadora de palavras" Mais, a candidata garantiu que é católica, mas não usa os terços como amuletos de sorte. "Ou se acredita ou não se acredita", defendeu.

Voltou a falar naquelas que são as suas bandeiras nesta campanha, reiterendo que uma sociedade avalia-se pela sua parte mais frágil e que, em Portugal, ainda há um lado muito frágil.