A candidata presidencial Maria de Belém Roseira justificou esta terça-feira os ataques de que tem sido alvo com a possibilidade de a sua candidatura incomodar, realçando que a sua ética é diferente da dos outros.

“A minha leitura é porque, provavelmente, a minha candidatura poderá incomodar, mas isto é realmente é um trabalho de investigação que os jornalistas podem fazer”, afirmou Maria de Belém, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, ao ser questionada, após uma visita à Misericórdia local, sobre os ataques à sua candidatura.

Na segunda-feira, o candidato Henrique Neto atacou a ética de Maria de Belém na parte final do frente-a-frente transmitido pela RTP1, tendo-a confrontado com o facto de ter sido consultora da Espírito Santo Saúde quando presidia à comissão parlamentar de Saúde, questão que já tinha sido abordada no debate da ex-ministra da Saúde com Marisa Matias.

“O resultado da ação da senhora candidata não é aquele que a senhora candidata nos procura convencer”, vincou Henrique Neto, acusando a adversária de confundir “a legalidade dos atos das personagens políticas com a ética”.


A ex-ministra socialista recusou “estar sujeita a um ataque de caráter”, dizendo que “a sua ética é a sua ética” e que “cumpre a lei”, vincando ainda “não ter tido nenhum processo por dívidas ao fisco”, sem explicitar ao que se referia. Henrique Neto reagiu, dizendo que também ele não tinha esse tipo de dívidas.

“Não quero fazer ataques desta natureza, acho absolutamente inaceitável que se espere pelo fim de um debate para se discutir com um candidato que cumpre a lei”, referiu ainda Maria de Belém.


Hoje, a candidata considerou que “toda a gente percebeu” que a sua ética é “diferente da ética dos outros”.

“E é por isso que num Estado de Direito aquilo que conta é a Lei e eu não aceito ser penalizada por ter cumprido a Lei, quando outros que não cumpriram a Lei passam impunemente por tudo quanto é o seu espaço público”, acrescentou, sem especificar de novo.

A candidata sustentou que o que pretendem é atacá-la, “muitas vezes usando golpes baixos e metodologias que não são aceitáveis”, explicando que era deputada sem exclusividade de funções e, como tal, ganhava menos.

“Depois podia ter usado o meu estatuto de advogada para não divulgar os meus clientes. Mesmo assim, por uma questão de escrutínio, pus tudo na Internet, na Comissão de Ética como deve ser posto, e no Tribunal Constitucional”, esclareceu.

Maria de Belém acrescentou que o presidente da Comissão de Saúde “não tem nenhum papel executivo, nenhum papel a não ser o gerir a comissão e representá-la em termos externos” e garantiu que nunca entrou em “incompatibilidade de interesses”.