A polémica veio para ficar e como uma sombra paira sobre a reta final desta campanha: Maria de Belém foi um dos 30 nomes que mandou travar a suspensão das subvenções vitalícias dos políticos, mas a candidata considera que este é um não assunto. À entrada para um almoço-comício em Lisboa, a ex-presidente do PS admitiu que a polémica "pode ser muito prejudicial" para a sua candidatura e que pode "perder votos". Ainda assim, garantiu que prefere "não perder a coerência".

"Pode ser muito prejudicial para a minha candidatura. [...] Perder votos todos podemos perder, mas aquilo que não quero perder é a minha coerência. Não abdico de defender a minha coerência e de afirmar que lutarei bem pelos dos outros se também lutar pelos meus direitos."


Já no almoço propriamente dito assinalou que defende "sempre" a Constituição e criticou quem a "rasga" perante a decisão de um tribunal que avalia a "constitucionalidade das leis". Com o apoio de Manuel Alegre, que teve um discurso acalorado sobre a polémica, Belém lembrou - ainda que de forma alterada-, palavras de José Régio para dizer que não vira a cara a debates difíceis. 


"Não viro a cara a debates quando eles são difíceis. Podem ser muitos os ataques e as acusações, mas sei para onde vou, por onde vou e sei que não vou por aí."


Depois de ter suspendido a agenda durante dois dias, na sequência da morte do histórico socialista Almeida Santos, Maria de Belém regressou esta quinta-feira à campanha eleitoral, para um dia passado inteiramente em Lisboa. E foi num almoço-comício na Cervejaria Trindade, um local que é muitas vezes escolhido para ponto de encontro dos socialistas, que tocou no assunto do momento: as subvenções vitalícias dos políticos, cuja suspensão mandou travar. A candidata presidencial sublinhou que "defende e fará cumprir a Constituição em qualquer circunstância".

"Defendo e farei cumprir a constituição. Não é quando é agradável, não é assim assim, é sempre, em qualquer circunstância."


E criticou quem diz que o seu programa é a Constituição, mas que depois, para fins eleitorais, a "rasga", "na separação de poderes", na "decisão de um tribunal que afere a constitucionalidade das leis".

Homenageando o histórico socialista Almeida Santos, que apoiava a sua candidatura eque  morreu na segunda-feira à noite, Maria de Belém lembrou que o presidente honorário do PS "bateu-se sempre pela dignificação da atividade política".

Mas o discurso mais acalorado foi mesmo o de Manuel Alegre que, juntamente com os socialistas Jorge Coelho e Marcos Perestrello, marcou presença neste encontro.

Também a propósito da questão das subvenções, o histórico socialista fez questão de mostrar o seu apoio "contra o inferno populista que ataca a sua candidatura, que ataca os políticos e a Democracia".

"Quando o Tribunal Constitucional cortou as subvenções toda a gente bateu palmas. [...] Por que é que se atacam os políticos? Não há Democracia sem políticos."


Alegre acrescentou que "acha extraordinário que um candidato venha dizer que acaba com isso [as subvenções] quando não tem poder" para o fazer.

O apoiante de Maria de Belém não tem dúvidas: não quer um candidato que "represente apenas a esquerda", "uma parte dos portugueses". "Maria de Belém será a Presidente de todos os portugueses".

Antes, Jorge Coelho também tinha tomado a palavra para vincar o seu apoio à candidata. Sem aprofundar o tema das subvenções, o socialista preferiu enaltecer as qualidades da candidata que apoia - "a única que oferece garantias, devido à experiência política, às causas abrangentes e à sua generosidade."