A ex-presidente do PS e antiga ministra da Saúde Maria de Belém Roseira, 66 anos, apresenta esta terça-feira, em Lisboa, a candidatura à Presidência da República.

A presidente do PS (2011-2014) durante a liderança de António José Seguro, sucedendo ao histórico Almeida Santos no congresso "segurista" de setembro de 2011, em Braga, conta com o apoio de outro “peso pesado” socialista, o poeta Manuel Alegre, de cuja candidatura presidencial foi mandatária nacional, há cinco anos.

Enquanto presidente do PS teve um papel muito contestado pelos "costistas" em 2014, depois de António Costa ter decidido candidatar-se a secretário-geral do PS.

Travou primeiro a discussão em Comissão Nacional do PS de uma proposta de António Costa para que se realizasse logo um congresso extraordinário do PS, alegando que o tema não constava na ordem de trabalhos. Depois, invocou um parecer da Comissão Nacional de Jurisdição do PS para considerar contra os estatutos a marcação desse congresso extraordinário para a liderança do partido.

Católica, Maria de Belém Roseira Martins Coelho Henriques de Pina nasceu há 66 anos (28 julho de 1949), no Porto. É casada e tem uma filha. Tem dois irmãos e duas irmãs.

Ministra da Saúde e da Igualdade em governos de António Guterres (1995-2000), a jurista e auditora da Defesa Nacional foi incentivada pelo movimento Portugal Melhor, do qual fazem parte o reitor do ISCTE Luís Reto, o médico Joshua Ruah, a farmacêutica Ana Paula Martins e a médica Maria do Céu Santo, entre outros, a apresentar-se como candidata a Belém.

O seu nome foi lançado para uma candidatura a Presidente da República numa reunião da Comissão Política do PS pela eurodeputada socialista Ana Gomes e foi apoiada pelos "seguristas".

Licenciada em Direito, em Coimbra, no ano de 1972, Maria de Belém começou a carreira na então Direcção-Geral da Providência, como técnica jurista no então Ministério das Corporações e Previdência Social, nos tempos de Marcello Caetano.



Em democracia, a seguir ao 25 de Abril de 1974, Belém trabalhou com Maria de Lurdes Pintasilgo, na altura secretária de Estado da Segurança social. “Foi um privilégio ter trabalhado com ela. Mostrou-nos a importância de construir uma sociedade mais justa, mais igualitária”, contou, em 2010, numa entrevista de vida à jornalista Anabela Mota Ribeiro, publicada no Jornal de Negócios.

Chegou a chefe de gabinete do ministro da Saúde em 1984 e foi depois administradora da Teledifusão de Macau, a partir de 1986 - é identificada como sendo do denominado "grupo de Macau" do PS, do qual fazem parte, entre outros, António Vitorino ou Jorge Coelho.

De regresso a Lisboa, desempenhou o cargo de vice-provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, entre 1988 a 1992, e foi administradora-delegada do Centro Regional de Lisboa do Instituto Português de Oncologia até 1995, data do convite do primeiro-ministro António Guterres para o XIII executivo constitucional.

Como parlamentar, eleita pela primeira vez em 1999, pelo círculo do Porto, foi vice-presidente da bancada "rosa" em várias legislaturas e participou em várias comissões, tendo presidido aos trabalhos dos deputados relacionados com a Saúde, na X Legislatura, altura em que foi foco de polémica por acumular as funções com a consultoria para o grupo BES (Banco Espírito Santo).

Outra polémica em que se viu envolvida foi a da construção da sua casa, alegadamente contra diretrizes municipais, junto a uma das praias da Linha de Sintra.

A militante socialista foi ainda presidente da Assembleia Geral da Organização Mundial de Saúde, em 1999, e liderou anos depois, já com José Sócrates como primeiro-ministro, a comissão parlamentar de inquérito "sobre a situação que levou à nacionalização do Banco Português de Negócios e sobre a supervisão bancária inerente".

Foi fundadora da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, da Liga dos Amigos do Hospital de S. Francisco Xavier, da Associação Reintegrar, da Associação de Psicogerontologia, entre outras atividades e funções como membro da Representação Portuguesa na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e da União da Europa Ocidental.

Maria de Belém foi condecorada com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo pelo então Presidente da República e antigo secretário-geral socialista Jorge Sampaio, em 2005.

Em 2012, publicou o livro "Mulheres Livres", com cerca de uma dezena de biografias de escritoras, políticas, filósofas e artistas.