Maria de Belém Roseira lamenta que as pessoas tenham deixado de confiar nos partidos tradicionais. Em entrevista, esta quarta-feira à noite, no programa «Política Mesmo», da TVI24, a deputada do Partido Socialista disse ainda que o projeto europeu precisa de uma profunda alteração.
 

«Aquilo que está a acontecer em Portugal é que as pessoas estão a desafeiçoar-se dos políticos e de quem as representa, dos partidos políticos. Eu acho que há uma erosão progressiva, que esta crise vai acentuar necessariamente. As pessoas deixaram de confiar nos partidos políticos tradicionais», afirmou a ex-presidente do PS.

 
No dia em que o empresário e ex-deputado socialista Henrique Neto se apresentou oficialmente como candidato a Presidente da República, e em que afirmou que a sua candidatura não é de esquerda nem de direita, mas que se dirige a todos, Maria de Belém Roseira invocou o exemplo das eleições europeias para sublinhar que tem havido alguma dispersão de votos relativamente a alguns partidos. A deputada do PS sublinhou que o fenómeno até tem mais expressão noutros países da União Europeia.
 

«Há uma governação europeia que é absolutamente esquizofrénica, porque, ao mesmo tempo que impõe medidas pela via das suas pastas económicas e financeiras, depois tem outras pastas que fazem um discurso completamente ao contrário, com objetivos do ponto de vista estratégico, a nível da redução da pobreza, da diminuição das desigualdades entre regiões, das desigualdades entre países, etc. que são absolutamente contrariadas pelas outras imposições. Isto não tem jeito nenhum e tem que evidentemente ser objeto de uma profunda alteração, de uma profunda ponderação», defendeu.


Confrontada com a ideia de que em Portugal, ao nível da opinião pública, há a sensação de que a crise já passou, Maria de Belém Roseira discordou por completo.

«Não. O que eu acho, toda a gente sabe, é que há uma enorme propaganda nesse sentido. (…) Quem é que tem voz? Tem voz a mensagem dominante: estamos melhor», sublinhou.


Para a deputada do PS existe a mensagem dominante de que o país está melhor, mas o que acontece realmente é que as pessoas estão pior: «Não há nenhum país que possa estar melhor quando as pessoas estão pior. Porque um país sem pessoas não interessa», rematou.