O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, lamentou hoje a morte de Maria Barroso, que classificou como "uma mulher corajosa e destemida" e lutadora pela liberdade.
 

"Foi fundadora do PS, lutou pela liberdade antes e depois do 25 de Abril, tinha um empenhamento que toda a gente conhece em projetos educativos, em projetos sociais e também na área dos direitos humanos", afirmou Paulo Portas aos jornalistas, em Nelas, durante uma visita à fábrica da Luso Finsa.


Na opinião de Paulo Portas, como primeira-dama, Maria Barroso "representou sempre impecavelmente Portugal, quer cá dentro, quer no estrangeiro".

"A certo passo da sua vida, teve também um compromisso espiritual, com testemunho e com partilha e, portanto, quero transmitir à sua família e aos seus amigos as nossas condolências", acrescentou.
 

Assunção Esteves recorda conjugação das qualidades de mulher e cidadã


A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, recordou hoje como Maria Barroso lhe "deu força" nos momentos em que precisou de força, numa cumplicidade com que se sentiu "favorecida".
 

"Eu tinha uma relação muito próxima com a Dra. Maria Barroso, visitava-me muitas vezes no meu gabinete, deu-me força em momentos em que eu precisei de força. Testemunho essa cumplicidade que de modo tão particular eu fui favorecida", declarou Assunção Esteves.


A presidente do parlamento, segunda figura na hierarquia do Estado, já tinha emitido um comunicado sobre o falecimento de Maria Barroso, mas quis, aos jornalistas, expressar que a sua dor "é uma dor partilhada e uma dor particular de alguém que, no plano pessoal, também a perdeu".

À margem das jornadas parlamentares do PSD e do CDS-PP, em Alcochete, no distrito de Setúbal, Assunção Esteves lembrou o "percurso ímpar da Dra. Maria Barroso, que ligou as duas dimensões, de mulher e de cidadã".

"Esteve presente em todos os momentos da nossa democracia, desde o tempo em que foi necessário correr riscos e sentir a dor, até ao quotidiano com que a Dra. Maria Barroso acompanhou os nossos projetos", disse.
 

"Foi sempre uma cidadã presente, uma cidadã corajosa, que nos prestou um impulso fundamental no nosso projeto de emancipação coletiva, como diretora do Colégio Moderno, apostando na educação, até à militância no espaço público, a Dra. Maria Barroso é alguém que esteve sempre connosco e nunca nos vai deixar", acrescentou.

 

PSD manifesta "profundo pesar"


O PSD manifestou hoje o seu "profundo pesar" pela morte de Maria Barroso, que recorda como uma mulher livre, da tolerância, e que colocou as suas qualidades humanas ao serviço dos outros.
 

"O PSD expressa nesta hora, à família da doutora Maria Barroso e ao Partido Socialista, de que foi fundadora, a mais sentida homenagem. Maria Barroso dedicou a sua vida ao nosso país. Colocou toda a sua energia, fé, dignidade, cultura e qualidades humanas ao serviço dos outros", refere o PSD, numa nota à imprensa.


Os sociais-democratas recordam Maria Barroso como "uma mulher precursora", que "visualizou no horizonte o triunfo da democracia, quis ajudar a construir o Portugal democrático e fê-lo com generosidade".
 

"Sofreu, ela própria, os constrangimentos da ditadura e da ausência da liberdade. Foi uma mulher da tolerância. Foi uma mulher livre, de uma sensibilidade estética e artística apuradíssimas e de um sentido de humanidade referencial. Entregou-se às causas mais nobres da nossa vida coletiva", realça ainda o PSD, que aponta Maria Barroso como "um exemplo para as gerações mais novas".

 

Viveu para os outros e prestigiou Portugal


A vice-presidente do CDS-PP Teresa Caeiro recordou Maria Barroso, como alguém que prestigiou Portugal e viveu " para os outros" através do empenho "nas causas que a sua consciência cívica, o seu humanismo, a sua dignidade" ditaram.
 

"Teve uma vida para os outros, em função dos outros. Empenhou-se incansavelmente na sua longa vida nas causas que a sua consciência cívica, o seu humanismo, a sua dignidade e a sua proximidade lhe ditavam", afirmou Teresa Caeiro.


Falando aos jornalistas à margem das jornadas parlamentares conjuntas de PSD e CDS-PP, em Alcochete, Teresa Caeiro declarou que "é impossível não estimar e admirar uma pessoa com as qualidades da dra. Maria de Jesus Barroso".
 

"É com muito pesar, até com desolação, que vemos partir fisicamente uma pessoa com a envergadura da dra. Maria de Jesus Barroso Soares", disse.


Teresa Caeiro, que era próxima de Maria Barroso, sublinhou como foi "testemunha direta das causas em que ela se empenhou".
 

"Penso que Portugal sabe o quanto ela se empenhou pelos direitos humanos, pelas liberdades, pelas causas sociais, pela melhoria da qualidade de vida dos mais desfavorecidos. Ela deixa um legado inestimável e uma saudade imensa. Foi uma sorte Portugal ter tido uma mulher como a dra. Maria Barroso Soares. Foi muito prestigiante para Portugal ter tido como primeira-dama a dra. Maria Barroso", declarou.


Teresa Caeiro apresentou "sentidos pêsames à família".

"É credora do nosso respeito e admiração"


Também o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, no início da sua intervenção de encerramento das jornadas, expressou pesar ao grupo parlamentar do PS, em particular a João Soares, deputado socialista e filho de Maria Barroso, bem como a Mário Soares.
 

Montenegro expressou "respeito pela sua personalidade, pela sua intervenção cultural, cívica, polícia e pela sua integridade".


"É credora do nosso respeito e admiração", declarou.
 

“Figura acima de qualquer divergência política”


O ministro da Economia, António Pires de Lima, lembrou hoje Maria Barroso como uma "figura acima de qualquer divergência política" e cuja atividade ficou marcada por uma "enorme dignidade e boa vontade".
 

"Era uma figura acima de qualquer divergência política, uma mulher de bem que marcou toda a sua vida por grande ativismo, no sentido positivo, político e social, uma pessoa que também se converteu ao catolicismo nos últimos anos da sua vida", disse Pires de Lima, à margem de uma conferência.


O ministro disse ainda guardar "uma imagem muito grata" de Maria Barroso.