O deputado socialista Marcos Perestrello desafiou hoje o ministro da Saúde a tomar «medidas drásticas» que resolvam «o caos» nas urgências hospitalares e no Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou, em consequência, a assumir responsabilidade política.

«O senhor ministro tem de tomar medidas muito mais drásticas ou ele próprio tomar as consequências óbvias», afirmou hoje Marcos Perestrelo, à entrada para uma reunião com a administração do Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra).

Deputados do PS e da comissão parlamentar de Saúde, além dos presidentes das câmaras da Amadora, Carla Tavares, e de Sintra, Basílio Horta, reuniram-se ao início da tarde com a administração do hospital para obterem informações sobre a situação da unidade de saúde.

«São muito visíveis os problemas das urgências que despertaram o país para a gravíssima situação que se passa no SNS», apontou o também vice-presidente do grupo parlamentar socialista, acrescentando, no entanto, que o problema vai mais além, tendo em conta «a lista de demissões que ocorreram nos últimos seis meses em diferentes hospitais do país».

Na sequência da demissão de 28 dos 33 diretores de serviços do Amadora-Sintra e do diretor clínico do Centro Hospitalar Lisboa Norte (que engloba os hospitais Santa Maria e Pulido Valente), Marcos Perestrelo deixou uma pergunta para o ministro Paulo Macedo: «Quando é que isto vai acabar?»

Marcos Peretrello, que é também presidente da Federação socialista da Área Urbana de Lisboa, exigiu ainda saber o resultado de «um contrato celebrado há mais de um ano pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, feito por ajuste direto, por cerca de 75 mil euros, para a reorganização das urgências na Área Metropolitana de Lisboa».

«O senhor ministro tem de explicar o que é que aconteceu com este contrato, para que serviu este contrato, que trabalho está a ser feito nos hospitais da Área Metropolitana de Lisboa», salientou o deputado.

Os problemas do SNS vão «para além da falta de clínicos, que o Governo espantosamente nega, mas apontam também para uma grande desorganização e uma falta de estratégia na condução dos destinos do SNS e dos destinos de alguns hospitais», acusou o dirigente socialista.

No final da reunião, Marcos Perestrello afirmou à Lusa que «existe um contraste entre o que diz o administrador do hospital e o que disse o presidente da ARS, que nega a falta de médicos, enquanto o administrador do hospital diz que há falta de médicos».

«Há um apontar muito concreto aos problemas com a falta de centros de saúde capazes de responder às populações», vincou o deputado, concluindo que se confirma «um desinvestimento total na área da saúde», com «responsabilidades políticas muito sérias do ministro da Saúde que deviam ser assumidas».

Numa carta enviada à administração e a Paulo Macedo, os demissionários do hospital Fernando Fonseca alegaram a ausência de estratégia para evitar a «contínua degradação das condições de trabalho» na unidade hospitalar.