O presidente da comissão de Defesa, Marco António Costa, questionou “quem teme" que o parlamento saiba "o que se passou" em Tancos, referindo-se à ausência de resposta do governo a sucessivos pedidos de informação.

Quem é que teme que a comissão fique a par dos assuntos que tem a ver com Tancos?" questionou Marco António Costa, dizendo que "continuam sem resposta" os pedidos de informação ao ministério da Defesa sobre os resultados das averiguações internas às "circunstâncias e condições" em que desapareceu material militar nos paióis de Tancos.

"Nós perguntámos sobre o que se passou, a resposta que nos foi enviada foi sobre as decisões tomadas para o futuro. Já voltei a pedir novamente", disse.

Intervindo na reunião da comissão parlamentar de Defesa, o deputado sustentou que a falta de resposta do ministério "já ultrapassa o que é admissível na relação institucional" com o parlamento.

Marco António Costa lembrou que, no âmbito dos processos de averiguações promovidos pelo Exército, foram exonerados e posteriormente readmitidos cinco comandantes e nada se sabe sobre os motivos e conclusões.

O presidente da comissão disse que irá novamente insistir para o envio daquelas informações, lamentando a "inutilidade" em que a comissão se terá, aos olhos do ministério, transformado.

Existe uma relação institucional que decorre da Constituição da República, de fiscalização política da ação do governo", afirmou o deputado do PSD Pedro Roque.

Para António Carlos Monteiro, do CDS-PP, a atitude do governo "revela um ministro da Defesa muito fragilizado" e "falta de transparência".

Admitindo a necessidade de a comissão dispor de todos os dados, o deputado do PS Miguel Medeiros advertiu que alguns relatórios foram classificados como secretos por quem os produziu e não pelo ministro da Defesa, Azeredo Lopes.

Do lado dos bloquistas, o deputado João Vasconcelos disse que o BE, "não obstante apoiar a maioria parlamentar de esquerda", exige esclarecimentos "tão rápido quanto possível".

Em junho, o Exército revelou a violação dos perímetros de segurança dos Paióis Nacionais de Tancos e o arrombamento de dois 'paiolins', tendo desaparecido granadas de mão ofensivas e munições de calibre nove milímetros.

Entre o material de guerra furtado dos Paióis Nacionais de Tancos estavam "granadas foguete anticarro", granadas de gás lacrimogéneo e explosivos, segundo a informação divulgada pelo Exército.

O Chefe do Estado-Maior do Exército mandou instaurar três inquéritos, nomeadamente ao funcionamento do sistema de videovigilância, à intrusão nas instalações e à gestão de cargas.

O Exército decidiu encerrar os paióis nacionais de Tancos, optando por concentrar o material nas instalações de Santa Margarida e admitindo armazenar algum material nos paióis dos outros ramos, em caso de necessidade.