O porta-voz do PSD defendeu, esta segunda-feira, que "o país precisa de um Governo em plenitude de funções" e rejeitou a formação de um executivo do PS, considerando que seria "um golpe político" e uma "fraude eleitoral".

De acordo com a Lusa, Marco António Costa assumiu esta posição numa conferência de imprensa, na sede nacional do PSD, em Lisboa, em que lamentou a existência de um "semestre branco" durante o qual a Constituição impede eleições legislativas antecipadas.

Questionado se a solução, para o PSD, é haver um Governo de iniciativa presidencial até poder haver novas eleições, Marco António Costa declarou: "Eu não vou responder a isso, porque não me cabe a mim fazer cenários".

Interrogado sobre as declarações feitas hoje pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, recordando anteriores governos que ficaram em funções de gestão durante meses, o porta-voz do PSD transmitiu a posição do seu partido sobre "a questão dos governos de gestão".
 

"Nós entendemos que o país precisa de um Governo em plenitude de funções capaz de resolver os problemas que o país tem de enfrentar, e um Governo, seja ele qual for, que não esteja capacitado de poder enfrentar com toda a segurança os problemas que o país tem de resolver, necessariamente, não está a servir o interesse nacional."


Instado a esclarecer qual é a solução de governação defendida pelo PSD até poder haver eleições, escusou-se a responder. "Nós não nos substituímos ao senhor Presidente da República", justificou.
 

"Este é o tempo do Presidente da República. Não tenho nem o atrevimento nem tenho a falta de respeito institucional que outros partidos têm revelado de usurpar o espaço político e o tempo do senhor Presidente da República."


O social-democrata falava a meio de uma reunião da Comissão Política Nacional do PSD, a primeira desde que o XX Governo Constitucional foi derrubado pela oposição, no parlamento, através da rejeição do seu programa, na terça-feira passada.

Na sua declaração inicial, o vice-presidente e porta-voz do PSD acusou os partidos da oposição de terem desrespeitado o voto dos portugueses, num comportamento de "irresponsabilidade política", e disse que Portugal está numa situação de "bloqueio" e "impasse".

Marco António Costa criticou o PS por recusar uma revisão constitucional extraordinária para alterar a norma segundo a qual "a Assembleia da República não pode ser dissolvida nos seis meses posteriores à sua eleição" e permitir que rapidamente haja novas legislativas.
 

"É manifesto o receio do PS em devolver a palavra aos portugueses".


Referindo-se a um possível Governo do PS com apoio do BE, PCP e PEV, apontou-o como "um golpe político contra os resultados eleitorais" e uma "fraude eleitoral" e sustentou que não se trata da prometida "uma alternativa sólida".

Depois, em resposta aos jornalistas, Marco António Costa insistiu que, para o PSD, é inaceitável que um Governo do PS tome posse, repetindo as expressões "golpe político" e "fraude eleitoral".

Segundo o porta-voz do PSD, é clara a "condenação" do seu partido à formação de um Governo do PS com apoio parlamentar dos partidos à sua esquerda, "não só pelo que ela comporá face aos resultados eleitorais, como ainda pela circunstância de nunca ter sido apresentada na fase da campanha eleitoral aos portugueses".