"O Partido Socialista quer usar parte dos dinheiros do Fundo de Estabilização da Segurança Social, que deve estar guardado para uma situação de emergência para assegurar o pagamento das responsabilidades sociais do Estado, para apoiar obras de construção civil, no âmbito da renovação urbana", criticou o dirigente social-democrata.

Em declarações à Lusa, depois de assistir, no Marco de Canaveses, à posse da nova concelhia da JSD local, Marco António Costa considerou "incompreensível" a proposta do PS, também porque "esse fundo tem a participação e acompanhamento dos parceiros sociais, que não darão o seu assentimento para uma proposta desta natureza".

"O PS tem revelado um certo irrealismo e uma ligeireza nas propostas que apresenta".

"São contas que nunca foram refutadas pelo PS", disse, prevendo que aquela proposta "significa uma perda de receita imediata, de encaixe financeiro para a segurança social, que põe em causa as pensões que estão em pagamento".

Defendeu, a propósito, que as próprias contas do maior partido da oposição, nos seus documentos macroeconómicos, admitem uma perda de 6.000 milhões de euros.

Marco António Costa insistiu que a proposta socialista, que considerou "aventureirista e irresponsável", provoca "um buraco acumulado que, seguramente, terá um efeito muito nocivo para o futuro da Segurança Social".

Sobre a possibilidade de o crescimento da economia poder compensar a redução da TSU, o vice-presidente do PSD considerou que "o PS está a usar um conjunto de premissas, em que baseia a construção da sua proposta económica, que é um ato de fé".

"Esses atos de fé nós já vivemos em 2009, com uma crise profundíssima", disse, acusando os socialistas de não aprenderem com os erros do passado.

Sobre a crítica do PS de que a maioria ainda não apresentou as contas do seu programa eleitoral, o dirigente do maior partido da coligação recordou que o programa PSD/CDS tem por base o Programa de Estabilidade apresentado em Bruxelas.

Além disso, frisou, as contas da maioria foram verificadas pelo Conselho de Finanças Públicas e pela UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental), ao contrário das do PS, partido que, recordou, "não teve disponibilidade" para sujeitar o seu cenário macroeconómico "a uma auditoria independente".

"Nós honraremos e respeitaremos essas contas, já não se pode dizer o mesmo do PS, porque apresenta um conjunto de contas que, entre outras coisas, leva o país a défices excessivos", concluiu.