O porta-voz do PSD, Marco António Costa, acusou esta quarta-feria o Fundo Monetário Internacional (FMI) de «hipocrisia institucional», alegando que esta instituição faz «proclamações muito piedosas em relatórios», mas tem sido «inflexível» nas negociações.

Mota Soares espera que recomendação do FMI se concretize nas ações da troika

De acordo com Marco António Costa, «não é por isso que o Governo deixou de ter nos últimos dois anos uma atitude de total intransigência nas negociações» e de estar «permanentemente determinado em lutar pelos interesses de Portugal», tendo com isso conseguido «a extensão das maturidades, a redução das taxas de juro e a redução dos objetivos do défice».

O porta-voz do PSD falava aos jornalistas no final de uma visita a uma empresa da freguesia de Arcozelo, no Concelho de Vila Verde, integrada na sua volta de campanha para as eleições autárquicas de 29 de setembro.

Marco António Costa quis reagir a um «relatório do FMI que se preocupa, aparentemente, com os excessos de austeridade» divulgado esta quarta-feira, e afirmou: «Aquilo que eu constato é que há uma hipocrisia institucional da parte do FMI, porque há relatórios que sublinham essa preocupação, mas depois, no concreto, na postura que revelam na mesa das negociações, na atitude que assumem no dia-a-dia de relacionamento com os estados, com os governos que têm de lidar com o FMI, o que mostram é uma atitude muito pouco flexível».

O porta-voz do PSD defendeu que é preciso «combater a hipocrisia institucional de instituições como o FMI que fazem proclamações muito piedosas, mas depois revelam uma atitude inflexível nas negociações».

Para ilustrar essa «atitude inflexível», Marco António Costa referiu que «ainda ontem [terça-feira] os parceiros sociais saíram altamente descontentes de contacto que tiveram com os representantes da troika [FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu]».

No relatório em causa, divulgado esta quarta-feira, analistas do FMI consideram que «em muitos países os desequilíbrios orçamentais são de tal magnitude que atacá-los no curto prazo exigiria um ajustamento numa escala que teria um impacto dramático na atividade económica iria ter consequências devastadoras na provisão de serviços pelos governos».

Os mesmos analistas sustentam, depois, que «mesmo os países que estão sob pressão por parte dos mercados devem ter 'limites de velocidade' que determinem o seu ritmo de ajustamento desejável».