O porta-voz do PSD, Marco António Costa, subscreveu hoje a ideia de que «Portugal carrega um pesado fardo» defendida pelo anterior Presidente da República Jorge Sampaio e culpou o PS por esse «fardo».

Num discurso no concelho de Santarém, o porta-voz do PSD assinalou que «ainda há poucos dias o senhor doutor Jorge Sampaio, ex-Presidente da República, um homem insuspeito, de esquerda, que foi secretário-geral do PS, presidente da Câmara de Lisboa, disse e afirmou que Portugal tem um pesado fardo, e que esta oitava e nona avaliação sem dúvida era um momento decisivo para o país».

O porta-voz do PSD acrescentou que não podia «estar mais de acordo com o senhor ex-Presidente da República doutor Jorge Sampaio».

A seguir, apontou o dedo à anterior governação socialista: «O pesado fardo que o país carrega é um fardo que não foi construído nem agregado por este Governo, é um fardo que este Governo herdou, mas que não rejeita a responsabilidade de transportar às costas, em nome do interesse de Portugal».

«O PS fica à toa quando nos ouve com este discurso positivo, quando nós carregamos um fardo que não fomos nós que criámos, mas que o carregamos com este ânimo, com esta determinação. O PS está muito habituado a não querer carregar fardos, a esperar que seja sempre historicamente o PSD a ter de carregar os fardos», alegou.

Marco António Costa referia-se a declarações de Jorge Sampaio feitas na quarta-feira, em Sintra, a propósito do processo de avaliação do programa de resgate a Portugal que está em curso.

«Temos um pesado fardo em cima de nós, convém ter essa noção», disse, na altura, o antigo Presidente da República, que considerou necessário equilibrar «a indispensabilidade do crescimento com aquilo que tem de ser o rigor das contas», o que qualificou de «um desafio muito difícil», mas ao qual Portugal não pode fugir.

Segundo o porta-voz do PSD, quando o PS esteve no Governo «confundiu-se desenvolvimento com construção desenfreada, confundiu-se estratégia com tática e acima de tudo confundiu-se algo que é muito importante, que é enriquecimento com endividamento».

«E hoje o fardo que nós temos é o pesado fardo de uma dívida de um país que durante seis anos, de alguma forma, não aproveitou as oportunidades que lhe foram colocadas, nomeadamente oportunidades assentes em juros muito baixos, num quadro comunitário de apoio que disponibilizava um conjunto significativo de verbas importantes para o desenvolvimento estratégico do país», concluiu.

Marco António Costa sustentou que, depois dos «ziguezagues» dos últimos anos, agora ««Portugal está no rumo certo».